terça-feira, 21 de junho de 2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
minha vida com carlos
O clima de Minas ia melhorando aos poucos. Do calor quase insuportável de dezembro até o friozinho de gelar a coluna e não deixar a gente sair da cama, com um medo danado de se resfriar, em julho. Era assim no Brasil todo. Era assim na minha amada Itabira.
Eu nunca tive mãe, e desde que tive idade para trabalhar, eu nunca tive pai. Conheci cedo a maldade dos homens, tendo eu mesmo ainda pequeno cometido várias delas, mas não queria nem saber. Eu era itabirano, forte, e tinha que sobreviver, nem que encontrasse ainda muitas pedras no caminho, embora minhas retinas não estivessem lá tão fatigadas assim. Eu não amava ninguém, e o personagem principal da minha vida ainda não tinha entrado na história.
Tinha largado a escola pra ganhar o mundo bem moleque. Mundo esse que não passava de Belo Horizonte de carona em caminhão de transportar galinhas. Mas isso me ajudou a ver o mundo de outra forma. Sem educação a gente aprende as malícias do destino e acaba conhecendo mais as pessoas, tomando rumos. E assim foi.
Se os bondes tilintavam abafando o calor e o vento, esse me trouxe alguém pra amar, mas ainda que o próprio amor. Às vezes um botão, às vezes um rato, nesse caso um homem. Eu mendigava comida, cachaça ou pedaço de pão velho no auge dos meus dezessete anos e já tinha sido preso algumas vezes por crimes não violentos. Os que me conheciam da rua me chamavam de “ Luís Fracote” e tamanha era a tristeza em mim, que nem mais queria admitir vida. “ inútil você desistir ou mesmo suicidar-se “, disse o homem na primeira vez que seus olhos encontraram-se com os meus. Não pude acreditar como era inusitado e velho, o seu corpo chamando a atenção, curvado. Resolvi aceitá-lo como alguém confiável, sendo eu, mesmo assim, mais esquivo que um gato assustado. E ele me aceitou como alguém reparável, que podia ser consertado. E assim foi.
“ Não há muitos jantares no mundo”, pensei eu. Não no meu mundo, onde a delicadeza dava lugar à miséria e de nada adiantaria o velho senhor dar-me toda a comida que tivesse, pois no momento em que saísse dali, a fome voltaria. A fome era meu estado de espírito. “ Há uma cidade em ti que não sabemos”, disse ele após o jantar. Ele descobrira uma Itabira em mim que ainda não havia visto em nenhuma viela, porta aberta ou o que quer que fosse. Eu era a flor que nascera na rua, feia, mas ainda assim uma flor. E ele sabia dizer coisas que amoleciam meu coração de asfalto, e minhas pétalas outrora fechadas como a pureza da alma e todas as lembranças violentas que na verdade nada diziam, se abriram e foram alçar voo numa viagem patética para outro lugar que não perto de mim. Ele, o velho Carlos, dizia que me daria algo para a vida toda, para guardar. Nada cruel ou obscuro e sim alvo como um passeio na neve tão distante. O meu querido Carlos me daria conhecimento. Itabira era um deserto e agora parecia uma viagem em família. E assim foi.
Livros, cartas, geografia, coisas divinas que eu nem sabia o significado foram mostradas a mim como manda a cartilha e ainda mais. O poeta, funcionário público, geógrafo, professor, farmacêutico e dentista, me ensinou seus ofícios e finalmente eu era alguém. Vi com ele os períodos da idade da terra, a antiguidade, a maldade dos homens ( que eu achava que conhecia mas, que horror! ), a idade da crise e o verdadeiro poder das palavras. Sim, Carlos sabia usar as palavras para o amor maior, e dizia que o amor verdadeiro não tem tradução, e se escreve com letra maiúscula, pois está muito além de sua própria significação.
O mundo era tão inválido quanto minha vida fora um dia, um descarte, um câncer, uma felicidade invertida. “O mundo não vale o mundo, meu bem”, ele repetia e repetia, até mesmo quando a tosse vinha e eu voltava pras ruas, rezar por ele como um filho chama pelo pai. Diga a ele que é culpa de alguém e leva um cascudo daqueles!. Dia desses perguntei:
- Vô Carlos, mas desde que o mundo é mundo, é que tem maldade né?
- É sim, meu filho, o que tem isso?
- Isso é tudo culpa da falta de vergonha dos homens!
- E você o que sabe dos homens? O mundo não vale a pena, mas não cabe a nós julgar. Estamos todos juntos sob o mesmo teto de vidro, cuide de si mesmo, olha para seu umbigo, e contribua com idéias, é isso que faz desse mundo um pouco melhor.
- Sim, senhor, eu respondi, mas ainda era novinho pra entender aquilo tudo com clareza. Hoje sei que o vô Carlos tinha razão. O mundo não tem tanta maldade assim. Só pouca gente de cabeça cheia e um bando muito grande de cabeça vazia. O mundo é talvez, e só isso, quem tiver certeza debruça mas nada alcança.
Esse tipo de diálogo ia aumentando o nível a cada dia. Eu cresci e o vô Carlos virou seu Carlos. E só Carlos depois disso. Não queria entender que a tosse um dia o levaria embora, antes mesmo da velhice. Não aceitava que não poderia mais vê-lo amaldiçoando o bendito leiteiro da rua Namur, por nunca aparecer na hora do café, coisa que ele não fazia tempos antes, quando achava que o barulho nada resolve. Eu dizia que ele era um senhor que acorda, resmunga e volta a dormir. Ele sorria e respondia coisas como “Pois é possível? Pergunto aos jornais, todos calados!”, e eu não entendia. A mente de Carlos era muito aguçada para um ex menino de rua que agora era recém formado em Direito, pudesse entender .
E eram onze horas da noite.
Agora eu morava no calor do Rio de Janeiro, quis me distanciar muito dele. O medo dele, o medo da morte. O telefone toca em Vila Isabel e a próxima coisa que faço é pegar um avião de volta ao paraíso, que só era paraíso porque ele estava lá. O tempo de conhecer mais pessoas, aprender a viver com elas, ajudá-las, já havia passado. Era um corpo sem vida, com mais vida do que os que pairam por aí. Ele era iluminado.
Virou poema com oitenta e cinco, mudou minha vida inteira e seus últimos dias pareceram-se muito com os meus, seus últimos minutos se pareceram com os meus. Seus últimos suspiros eram os meus. O amor, o vento, Itabira, as moças, à morte, Maria Julieta, tudo se confundia no balançar das folhas. O silêncio era tão global e logo o mundo escureceu antes de nascer uma estrela. Eu não estava preparado.
Mas o que se passa afinal? Com todo o pranto que lancei por tantos anos, volta, enfim, a tristeza de outrora, o grande vazio como se sua influência de nada adiantasse em meu coração esburacado por sua ausência e ao mesmo tempo batendo forte com sua presença.
Agora, ainda mais velho, em meu leito de horror e dor, chamo por ele em delírio e choro. Choro tanto, meu Deus. Mas o que se passa? Agora em meus últimos momentos, posso com certeza afirmar. Tudo. O mundo, sim, vale a pena, mas só porque ele esteve lá. Sua essência em mim, protegendo contra a ignorância tão comum e ordinária, como se fôssemos um só. Então pare. A vida acabou. Ou talvez tenha sido somente ilusão.
E assim foi.
quarta-feira, 23 de março de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
o nacional socialismo?
o falso moralismo?
os déspotas esclarecidos?
os guerreiros deserdados,
fardados e amedrontados,
acabados, sem um traço em comunhão,
sem armas na mão,
com uma dor no peito,
sem sangue no coração.
as falsas donzelas
em suas faltas de mazelas,
bem querer delas,
que sem querer entre uma transa e outra
acabam demostrando quem realmente são,
não sabem simplesmente dizer não,
ou então não querem demonstrar que
ainda apresentam salvação.
o que te irrita de verdade?
um coração pobre e magoado,
de um dono sentado num banco de praça,
sem casa, se cobrindo com jornal.
e as autoridades, te irritam seriamente?
fico assim tão descontente,
nem sei bem o que dizer, achar.
mergulho num mar de irritação,
tentando achar redenção,
esperança na ganância de terceiros,
quartos, quintetos e quadrilhas,
assaltam e estupram suas filhas,
querias!
o que te irrita de verdade?
despertar sobre o apito do trem,
as 6 da manhã,
não ter nem a mente sã,
ter de ir trabalhar,
não acabar,
aprender a fingir não se irritar.
terça-feira, 1 de março de 2011
de tudo que vejo tiro um tanto,
de tanto que vi um dia me espanto
de todas as coisas que trouxeram pranto,
a felicidade é da qual me escondo.
do centro da cidade, ao engenho de dentro,
do bairro de fátima ao flamengo então,
todos os caminhos me levam a ti, sempre a ti,
e em ti me acho um tanto em vão,
ou não e me faço falar, escrever, enervar,
enebriar de intensidade,
barbaridades à parte eu me sinto assim.
um ritmo rimado, um traço mal marcado,
um verso transloucado, sádico,
trágico ou um tanto mágico,
o que eu vejo é simples e claro,
um emplastro plástico e pré encharcado
com a beleza prática e despercebida à olhos destreinados,
miopia leve e breve, até vir a magia de trevas que a pequena há
de oferecer.
mas o mistério, térreo e entrevado,
que me deixa um pouco desacordado,
acordado de olho fechado,
pra dormir demoro uma música e meia,
mas vale a pena viver, e ver,
viver pra ver o que não vejo tanto,
mas que de pouco já não sei viver ser ver.
jogo-me longe,
longe me acabo
e a poesia
vai pelo ralo,
toda essa rima,
coisa nojenta,
quebra o clima
de quem não aguenta,
poemas rimados
são sem esperança,
horríveis, voltados
pra quem nunca alcança,
dilema de vírgulas,
chegando ao final,
termino essa epístola
com uma bela pá de cal.
resolvi voltar,
sei lá, fazer.
e aí me encontro são,
sem tanta inspiração, de viver,
de entreter,
de saber porque.
resolvi voltar, razão de apaixonar,
entrar na vida, falar,
transar os temas, mandar
os eufemismos pra lá,
mas eles voltam.
voltei nem aí pra forma,
voltei sem saber de nada,
voltei tanto, para casa,
e de tanto fui embora.
agora, que faço?
acabo, sem chorar,
nem rir, amassar,
jogar e esquecer,
tantos infinitivos e
tão pouco prazer.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
sábado, 29 de janeiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
me entrego e não nego
que entrego-me todo,
num trago, um afago,
num transe um desgosto.
em agosto um problema,
setembro um dilema,
outubro sem braço
me leva a esperança,
novembro a lembrança de um ano acabado
e num pensamento, dezembro me chega,
chega! eu penso, e em tanto regresso,
com verso eu converso e mato uma brisa
fechando a janela.
minha mente, esparrela haverá de cair
e no passar dos anos inteiros, intensos,
animais, remendos que penso em juntar,
isso tudo em janeiro, entenda meu lado,
acontecerá.
fevereiro a folia, folgada e sem tarso,
com meu pé quebrado chegamos em março,
e a bebida já tira os sentidos,
que será daqueles que o olho já viu?
e com pensamentos me vejo em abril.
em maio caio,
desesperanças me esvaio e me traio em amor demais,
coincidencias demais,
estranhezas de menos...
devo estar chegando em junho,
onde o cunho dos antepassados,
maltrapilhos e maltratados, somem, empoeirados,
rezando as novenas a crentes encapuzados.
eis que julho bate a minha porta,
vingando as mortes e matando as voltas,
encontrando trovas e cantando as donas,
enveredando sonhos e casando as moças
enlouquecendo mestres e bancando as bocas.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
acabando um conto
a gente aumenta um pouco,
mesmo tudo e todos ele há de alegrar,
e se não acaba
a gente só atrasa
a leitura embaça
poesia fracassa,
sem felicidade,
sem integridade
e sem tem alguém com quem compartilhar.
faça isso, agora
ponha para fora,
veja com quem mora,
coisas que te fazem,
notícias te trazem,
e aí explode,
escreve, se sacode,
e sem tanta morte
das palavras sim!
escreva, escreva, escreva,
não deixe acabado
sem acabamento...
senta e te inspira,
ser um mal amado
não traz nada,
só ressentimento.
se nada sair, eu invento.
invento um tudo pra todo mundo ler,
invento um guerreiro, um poema sem lei,
espero que leiam e se inspirei, sei,
que nada sei, mas de escrever me faço.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
versos, versos, versos
para quê os quero,
senão para dar a quem gosto,
num envelope lacrado
com toda a felicidade,
todo o carinho
e tudo mais que for de bom.
versos, versos, versos,
para quê os escrevo,
senão para expressar só o que não vejo,
sentir só o que não sinto,
e então sair do tom.
sábado, 1 de janeiro de 2011
que serventia tem as más impressões da vida,
e as pessoas, tão atiçadas com suas próprias convicções
que dizem que tudo está tão vivo, mas por dentro estão mortas?
esperando alguém socorrê-las,
esperando o anúncio das trombetas,
esperando um sinal
e sempre traindo seus sonhos.
sonhos.
com o quê ou de quê são feitos?
quisera eu poder apalpá-los, ou pisar em cima
como grama fofinha ou terra molhada.
do quê são feitos os sonhos,
tão escondidos na beleza das coisas e tão
comedidos em acometerem-se?
e contentamo-nos..
com tanto poder podre nas mãos
ainda mais podres,
como pode um sonho nascer,
ainda que seja um sonho pequeno,
ainda chorando e querendo acalanto,
querendo ainda afirmar-se?
mãos pálidas ainda existem
e são encontradas nos mais distantes cantos do mundo,
mas existem sim.
e encontrá-las é o desafio.
encontrar um sonho,
uma esperança,
encontrar um encontro que seja.
nem que o tal encontro se esconda no sonho,
e encontrá-lo já se torne um sonho,
e sonhar já seria encontrar
e então acabaria o choro.
então acabariam as tais mãos pálidas,
e então não sofreríamos mais.
a pureza não se tem, se compra, se faz acreditar,
e quem acredita em pureza, se não tem pra quem vender?