terça-feira, 28 de dezembro de 2010

entranhas

levo em meu peito
a saudade imensa,
em terrenos tristes
que a lembrança trás.

no coração carrego mais mil flores,
medos e horrores
de quem não será.

e em meu corpo carrego o cansaço,
me sentindo magro,
esguio e enguiçado.

e de que vale não ter tanta gente,
viver tantas vidas sem te ter do lado?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

sinusite

sinusite inusitada,
muda a mim e as palavras,
encalhadas, encostadas,
e trocadas, retorcidas,
e zangadas, comedidas,
inibidas e acabadas.

sinusite, coisa chata
vá embora, não, me larga!

tanta febre, tanta dor,
que impecilho ao amor,
à diversão tem aversão,
e à alegria tem horror,
que pavor da sinusite,
mal amada, coisa amarga,
dia desses tomo a pílula
e esse catarro me larga.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

sexo gramatical

transo as palavras,
uma após a outra.
um fio de náilon,
macio,
esticado,
a poesia nasce do sexo linguístico,
a transa poética,
a sujeira mesquinha.
palavras transadas,
trocadas,
jogadas,
usadas e reaproveitadas.
a poesia nasce também do lixo,
da perturbação, da dor,
dor de viver e
a dor de amar.
quando transo as palavras
elas gemem de prazer,
entrelaçando,
combinando,
que ferocidade!
o poema range os dentes para quem escreve,
é vida própria, inteligente,
aflitiva,
foge do papel e vai ganhar o coração de alguém.

leia um poema.
se não se emocionar
garanto que enfio uma faca no peito
e ainda hoje deixo este mundo.

a palavra é sensual,
mas só o poema é sexual,
voluptuoso,
libidinoso,
impuro,
escuro,
em cima do muro.
poema é um dia inteiro na cama
gritando sem ninguém ouvir,
você e seu amor,
sem pudor,
com vigor,
com dor,
uma flor.
flor no cabelo da menina
e sentimento sendo explorado.

escrever é bom,
a melhor coisa do mundo,
mas eu não escrevo,
eu transo palavras,
e essa sensação você ainda não conhece,
estremece de me ver transar,
palavras ao vento você pode jogar,
mas só eu vou dizer pra onde vai cada coisa
e ela encaixa em perfeição.

sabe o que é isso?
não?

então continua escrevendo
se isso dá sentido à sua vida medíocre
e morra poeticamente virgem.
como posso

como posso aceitar
que todos os meus sonhos tenham sido devorados?
como posso aceitar
que todos os meus familiares tenham morrido?
como posso querer
formar nova família em meio a tanta dor?
como posso encontrar
pessoas que valham a pena conversar?
como posso dizer
eu te amo, vivendo nesse mundo de ódio?
como posso dizer
eu te odeio, com tanto amor em meu coração?
como posso ter
dinheiro, carros, casas
se não sou capitalista?
como posso entender
a beleza das coisas em meio a coisas feias e a falta de cultura?
como posso saber o que é bom ou ruim?

simples.

a poesia ensina.
dedo de Deus

oh, dedo de deus,
por favor, me guie em sabedoria,
não me deixe falhar,
nem amar,
nem pensar,
nem ser,
nem nada.

oh dedo de deus,
me faça crer,
querer,
(e que não mais tenha de escrever esse tipo de coisa)

querei-me bem, oh, dedo de deus
e me faça uma pessoa melhor.
onomatopéia

KAZAAAAAAAM!
pow, pow, pow
bum!
AAAAAH!
xiiii

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

à espera da já conhecida vontade de ter

fiquei a manhã toda esperando...
e esperando eu pude entender
que nada era um acaso.
ali, ao ar livre, me libertava cada vez mais de velhas percepções
e mergulhava em um mar de diversidades,
todas sorrindo radiantes e me apresentando ao mundo novo,
mas esperando a gente lembra de coisas, cartilhas velhas, segredos,
coisas guardadas, às vezes até nossos medos internos (que Deus os tenha),
que já nem guardo mais.

fiquei a tarde inteira esperando...
e junto da espera vieram valores,
que tanto lutava para não adquirir,
sentimentos, mudanças, uma nova respiração,
o ar dessa tarde ociosa e ansiosa era tudo o que eu precisava
para dar sentido ao todo que me via de tão perto,
tão incerto e tão moderno que nada podia ver, nem que quisesse
na teimosia exacerbada de arrogância e petulância sem fim nem querer.

fiquei a noite inteira esperando...
e foi-se embora a paciência,
a poesia não espera para sair,
e eu até quis me segurar,
mas acabei cuspindo versos de fora pra dentro,
e acabei me maculando inteiro de alegria.
quando finalmente chegou o que eu nem sequer procurava, mergulhei,
tão fundo quanto se pode mergulhar, um olhar e um sorriso que evidenciam a beleza da alma,
um romantismo tão profundo quanto um corte de papel
e a relatividade de um furacão, que vem destruindo tudo e todos,
mas que todo mundo tem curiosidade de ficar olhando.

teus olhos me mostram fraqueza,
teus dentes escancarados me mostram franqueza,
e tudo junto em teu corpo me faz perguntar onde quero estar,
contigo?
é tão incerto quanto um dia triste de acabar,
mas um dia então hei de saber o que se passa
e colocarei meus óculos para ver melhor,
ou então devolverei os teus,
para que me vejas também pensar em ti.

domingo, 12 de dezembro de 2010

home page

www.
com ponto bê erre,
no meio deve ter coisa,
cadê, não, isso não abre...
e me tira a paciência,
tô em subserviência
e a internet é esse lixo.

sou eu agora um bicho?
duplo clique e lá vou eu
navegando sem barco,
acessando a exclusão,
condenando a enciclopédia
ao esquecimento,
fazendo download da ignorãncia.
descaso

não.
não estou nem aí
nem lá,
nem cá pra você.

e ainda se arrepende.
politicagens, previsões e cataclisma urbano

Porque ele gosta, Kai, é pra você.

salve-se quem puder,
problemáticos e problemáticas!
quem tem coragem de vingar as mortes
e puxar os cabelos das crianças e dos políticos,
perder as estribeiras e os caminhos,
se sentir perdido e arruinado?
a palhaçada se tornou geral
na sátira social do Brasil,
é o país da gargalhada,
das poesias maduras e velhas,
dos maus gostos e doenças venéreas,
das loucuras e problemas mil.

salve-se quem puder, eu repito,
dos movimentos da pá virada,
dos falsos moralistas,do PT e os DEMocrátas
esperando sua hora de chegar...
opa! espera que essa hora já chegou
e o povo tá demorando a entender,
que cagando sobre nossas cabeças
é que eles ganham votos
e viram Dilma,
ou Silma, Vilma,
é tudo brasileiro amigo
do apelo social,
e a vesguice da democracia
não importa, tá sempre olhando pro mesmo lugar.
é o fascismo acobertado,
o nacional-socialismo
e tudo indo pro brejo
à gargalhadas de Adolf e Benito bonito,
que vício de linguagem que nada,
é o poema da política às avessas
e a roupa engraçada,
e as pessoas abastadas que não sobem ao poder.

mas que lindo!
quando eu boto a mão na consciência
só sai desgraça sem graça
e lembranças empoeiradas do que ainda está por vir.
faço de tudo para honrar o sangue dos meus irmãos
ao som das mulheres fruta,
e as trombetas do inferno que me aguarde
porque eu tô chegando.
vou fazer um churrasco,
sem eira nem beira,
vou fazer zoeira, quer você ou não.

só não digo quem eu sou,
aliás até lhe digo
que na rima estou procurando um abrigo
mas a alma já foi e eu só vejo o depois manifestar-se agora,
vestido de seda e linho,
branco é a cor do colarinho
e pegam você sem demora.

e termino essa carta com um 'boa sorte',
tenha você certeza de ser,
seja você e não saiba porque,
pior que está eu já nem sei o que,
mas sempre pode acontecer de piorar mais.

sábado, 11 de dezembro de 2010

poesia da explosão

BOOOOOOOOOOOOOM!

e de repente, que surpresa! no meio de tanta fumaça,
não sobrou nada para continuar.
os poemas escritos por poetas que ninguém quer ler

era uma vez um livro que se apagou porque ninguém lia,
era uma vez um alguém que ninguém mais sentia,
era uma vez um poeta que usava as palavras
como se tudo fosse resolvível,
e então por ser ignorado,
o belo poeta foi viver lá longe.

e um belo poema nasceu do exílio
e foi ser declamado pra lá de além mar,
e cansado de tanto descaso,
foi se desmembrando em palavras sem fim,
até que um acento, divertido que só ele
foi procurar cada sílaba,
mas cansado de tanta aventura, se enforcou numa velha figueira.

então as árvores cansadas, foram derrubadas,
sem nenhum pudor, nem sequer uma lágrima
e esse poema se acaba sem ter começado
e talvez se tivesse começado, ninguém tivesse notado
e a vida seguisse como sempre foi.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

para se falar de ódio...

não é necessário ranger os dentes
nem serrar os punhos,
só é necessário um pouco de falsidade,
uma pitada de ignorância e uma arma na mão.
para falar de amor...

não é necessário poesia,
nem felicidade, nem coragem.
só é preciso um tapa na cara, uma carta
e uma rosa arrancada do jardim do vizinho.
confissão

venho por intermédio deste poema ridículo
que te amei, mas não tive coragem de dizer,
te quis mas não tive coragem de falar,
te desejei mas não pude contar,
e morri sem que soubesse onde estava.

também gostaria de compartilhar aqui
que de todas as mulheres que nunca souberam da minha existência
você era a mais linda,
mas eu era muito covarde e logo, nada fiz para chamar tua atenção,
não pude suportar o desconforto de te ver passar todo santo dia na praça e me contentava em ver apenas o que meus olhos imaginavam.

criava pra mim uma loucura boba,
uma visão turva do futuro bom contigo.
ao teu lado tive carinho,
ternura,
conheci o amor e o sexo,
enfim soube ter família,
não desmembrada e triste como a minha,
mas alegre como um dia de sol.

com você me vi um espírito de luz,
vagando pela humanidade com um propósito desconhecido e até malicioso de ser,
e nada mais era de se querer como o próprio querer bem que se quis,
e o próprio amar bem de se amar,
sem nem pensar,
sem nem olhar para trás.

e lutando contra mim mesmo voltei a mim,
lutando contra tudo e contra todos, voltei a tudo e contemplei todos
e nada mais queria que a própria vontade pudesse me dar,
e nada me dariam que a própria alma pudesse transformar
e o sentimento vai se indo ao vento de ventos que os próprios não iram mais soprar,
e a tua beleza é de fato, tristeza, que eu todo triste me pus a pensar.

que será?
a felicidade é tão ruim assim,
pergunto nesta carta póstuma e desequilibrada
que provavelmente não lerás
e à leitura que nem a essas letras não mais causará,
o transtorno tornado, de um transe acabado e uma poesia mal acabada
e tosca,
não faria mal à uma mosca,
nem que fosse para me salvar.

venho por intermédio desse poema ridículo lhe dar motivos para me querer,
e que em teu grande leito de silêncio possa ouvir meus sussuros
e chorar a noite e pela noite adentrar
sem ter a quem recorrer,
sem nem onde andar.
e também digo que chego ao fim,
sem nem ao menos chegar.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

o baú do poeta

o sentimento exacerbado,
tão peculiar de quem nunca escreveu,
deve ser guardado à sete chaves,
e nunca exposta ao interior da alma.
que alma? posso dizer,
e aí nada é direito,
tudo pode ser corrompido quando não há o que falar,
mostre-se através de relevâncias e descreva-se quando for morrer,
não antes.
mas como fazer?
simples,
não pergunte à quem escreve o que se sente,
as almas dos poetas, junto com seus corações,
são esquecidas e jogadas às traças
para que ninguém um dia saiba quem as conjurou.

num baú o poeta tem uma alma que ele mesmo criou e assim será,
quem discute? é impossível tentar adentrar o inimaginável
e mais incrível é aquele que nunca tenta.

inventa.
transcende.
aguarda.
finge.
acaba.

inventa o seu eu inentrável,
transcende a dor,
aguarda o conhecimento,
finge que sente
e acaba mágico.
o falso romântico

abre o olho, mulher! e pára e pensa!
que fazes pra ser assim tão amarga?
como pode ser assim tão séria?
abre o olho e de uma vez enxerga a beleza,
só uma vez ignora o infinitivo e o acabativo,
ignora também o subjuntivo e o judiciário,
aproveita e me aguarde com o imperativo e o precário na mão.

abre o olho e me veja nos sonhos,
sempre tão ávido por ti, um saber estranho,
um poema horrível porém luxuoso
é só o que tenho a te oferecer,
e não é nem por querer
mas não tenho nada mesmo.

quem seria se pudesse olhar pra trás,
fazer tudo diferente,
dar valor e flores,
despertar amores e mandar cartinhas com figuras,
adesivos e perfumes de menina para que te identificasse,
quem seria se fizesse tudo isso,
e ainda provasse o sexo de forma ótima
como um louco apaixonado faria,
insaciável e atrasado para que chegasse à minha frente?

abre os olhos, mulher!
tudo que tem à tua volta é lindo.
amor, vinho, pão, um fogão, uma geladeira,
uma máquina dessas modernas de fazer suco
e ainda uma vassoura nova,
uma batedeira e um óculos de leitura,
tudo dado pelo romântico que leva a tira colo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

para fazer poesia...

não é necessário coragem,
criatividade ou concentração.
é só necessário um verso achado no lixo
ou uma idéia roubada.
sonhando eu invento um sistema, uma língua nova,
acendo um incenso, cavo minha cova,
entendo a alegria e suspendo de vez,
embora queria que existisse em fim
alguém que pudesse em um mês,
me fazer chorar.

sonhando eu detesto você,
e lhe rogo uma praga,
sonhando eu detesto ler
e meu sonho é uma chaga,
que o próprio sonhar não pode me dizer.
futuro

pennsemos onde irá parar a ignorância.
por um momento sejamos nós os detentores da salvação do mundo
e de todo o caso nos façamos reis da razão e da criação,
colocando-nos acima dos Deuses que governam em silêncio todas as coisas.
pensemos que a palavra, um dia pode ter em sua magia, o espírito ddos intelectuais de outrora e se faça presente em cada discurso,
cada verso,
cada flor que se vê.

agora façamos o seguinte:
paremos de ler poemas,
paremos com os morfemas e as frases feitas,
que todos nós sejamos tomados por uma súbita vontade de nos mudar para o campo,
num arcadismo moderno,
num desastroso inverno poético.
que sobra, então?

um tanto de pessoas se perguntaram isso e finalmente começaram a ler livros.
outros tantos não suportaram o pessímismo romântico e se suicidaram.
os poetas mortos agora mais vivos que nunca, se fingem de espertos
e tentam explicar.

outro tanto de gente viva, que se pensava estar mortos,
cantam e dançam sobre o cadáver da alegria.

e você?

(perde tempo com esse lixo)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

conquista

fiquei meia hora pensando num jeito
de fazê-la se apaixonar
não pensei e não aceito
que ela há de reclamar

mas num caso ou em outro
acabo fazendo feio
devo abordá-la depois,
talvez depois do recreio.

receio que as palavras
não me digam nem me falem
que essas sílabas jogadas
nada farão pra ajudar

e essa conquista louca,
menina moça, mulher
me deixa com os cabelos
e todos pêlos em pé

devo então ser nais maduro
e lutar pelo que quero
devo sim, ser mais seguro
fazer com bem mais esmero

(e então deverá acontecer)
canção do estranho amor

a mais boboca das bobocas, a que eu mais gosto. Thayana Pinheiro, é pra ti =)

pensei bem em um amor,
tão difícil quanto a vida
que só não te traz a dor
que deveras já sentia

mas não se iluda consigo
de que podes desfrutar
deste amor, amor-amigo,
e se entregar sem lutar

o amor de vez em quando
prega peças na amizade,
e se transforma em um tanto
que coroa a vaidade

se quiseres um carinho
um carinho posso dar
mas até essa canção um dia há de acabar

e se da melhor maneira
eu pudesse terminar
por uma estranha perfeita
ainda hei de apaixonar.