poesia com farofa
quem tem medo do tempero brasileiro e da cultura carioca?
sábado, 25 de fevereiro de 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
idade
há milhares e milhares de anos
os homens não se respeitam,
as vidas são jogadas fora
como trouxas de roupa da peste,
queimadas,
mortas,
pulverizadas
e nunca mais faladas,
sempre.
há centenas de anos
os homens tentam ser o que não são,
tentam ver o que não há,
tentam ter o que ninguém tem.
destroem para construir,
constroem para destruir,
vão e vem sem ir
são e sem sanidade
sobrevivem.
há dezenas de anos
os homens buscam as curas,
sem sucesso para suas mediocridades,
não há curas para vergonhas e orgulhos,
sentados em tronos de ouro,
enquanto morrem de frio e fome,
quem não vota, não pensa,
não mora e não tem onde sentar.
há alguns anos nasci
o suficiente de tempo para descobrir
que nada disso acontece por acaso,
pois nada é igual ao que foi há horas,
e os minutos passam como água que lava os cabelos,
sujos de terra e de lama,
sujos com sombras de fama
de pensamentos antigos,
tão poucos os verdadeiros amigos
que contamos a vida e vemos tão sem graça
quando não estão.
há alguns segundos atrás comecei a escrever,
realmente não sei bem porque,
mas se posso e quero
tenho como ser em versos,
não quero mais me esconder.
há milhares e milhares de anos
os homens não se respeitam,
as vidas são jogadas fora
como trouxas de roupa da peste,
queimadas,
mortas,
pulverizadas
e nunca mais faladas,
sempre.
há centenas de anos
os homens tentam ser o que não são,
tentam ver o que não há,
tentam ter o que ninguém tem.
destroem para construir,
constroem para destruir,
vão e vem sem ir
são e sem sanidade
sobrevivem.
há dezenas de anos
os homens buscam as curas,
sem sucesso para suas mediocridades,
não há curas para vergonhas e orgulhos,
sentados em tronos de ouro,
enquanto morrem de frio e fome,
quem não vota, não pensa,
não mora e não tem onde sentar.
há alguns anos nasci
o suficiente de tempo para descobrir
que nada disso acontece por acaso,
pois nada é igual ao que foi há horas,
e os minutos passam como água que lava os cabelos,
sujos de terra e de lama,
sujos com sombras de fama
de pensamentos antigos,
tão poucos os verdadeiros amigos
que contamos a vida e vemos tão sem graça
quando não estão.
há alguns segundos atrás comecei a escrever,
realmente não sei bem porque,
mas se posso e quero
tenho como ser em versos,
não quero mais me esconder.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
leva 100 horas pra deixar alguém feliz,
leva 2 segundos pra deixar alguém triste.
é necessário 100.000 horas pra fazer alguém se apaixonar por você,
mas apenas 15 segundos pra fazer alguém deixar de gostar.
o quanto você ainda acha que dá pra aproveitar?
o tempo está contra tudo e todos.
cabe a nós saber por qual caminho ir.
escolha o caminho certo.
o resto virá.
leva 2 segundos pra deixar alguém triste.
é necessário 100.000 horas pra fazer alguém se apaixonar por você,
mas apenas 15 segundos pra fazer alguém deixar de gostar.
o quanto você ainda acha que dá pra aproveitar?
o tempo está contra tudo e todos.
cabe a nós saber por qual caminho ir.
escolha o caminho certo.
o resto virá.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
dá tempo de não chorar de saudade
um tom saudoso,
um leve toque,
breve,
prévia do amor
louco que sai dos poros.
tantos ignorantes me perguntam
do que se trata nossa relação.
como responder a tão ácida questão?
se estou aqui, você acolá,
me mato de tanto olhar pra porta,
telefone,
janelas,
telas,
pinturas,
mudas de roupa,
de plantas,
e outras tantas
coisas que não sei dizer o quê.
se está comigo
eu fico
e morro de ficar,
na cama,
vazando de um lado a outro,
torto,
querendo voltar pros seus braços quando vou ao banheiro
me alimentando de teu suor quente,
tua boca fria
me alivia
tudo.
e quando vai e não volta?
ou melhor,
quando foi e não voltou mais.
meu corpo se desfaz,
ele quer ir ao encontro
do divino
dividindo as atenções entre sonhar e sobreviver.
outro dia mesmo foi,
e agora onde está?
de vez em quando liga e diz
"já volto
vou mas retorno,
não te consumas, vergonha alheia,
com coisas tão pequenas quanto tudo o que temos.
amar não enche barriga"
amar não enche barriga, ela disse,
e a morte me toma por tolo.
quero acreditar em fim em todos.
mas começo a desconfiar de mim mesmo.
assim me protejo de sentir-me só.
ela volta hora dessa,
de mala e cuia,
sapatos quebrados,
bolsas roubadas
e vagina ardendo.
tremendo.
e eu aceito tudo.
digo ainda:
"quase deu tempo de não chorar de saudade".
um tom saudoso,
um leve toque,
breve,
prévia do amor
louco que sai dos poros.
tantos ignorantes me perguntam
do que se trata nossa relação.
como responder a tão ácida questão?
se estou aqui, você acolá,
me mato de tanto olhar pra porta,
telefone,
janelas,
telas,
pinturas,
mudas de roupa,
de plantas,
e outras tantas
coisas que não sei dizer o quê.
se está comigo
eu fico
e morro de ficar,
na cama,
vazando de um lado a outro,
torto,
querendo voltar pros seus braços quando vou ao banheiro
me alimentando de teu suor quente,
tua boca fria
me alivia
tudo.
e quando vai e não volta?
ou melhor,
quando foi e não voltou mais.
meu corpo se desfaz,
ele quer ir ao encontro
do divino
dividindo as atenções entre sonhar e sobreviver.
outro dia mesmo foi,
e agora onde está?
de vez em quando liga e diz
"já volto
vou mas retorno,
não te consumas, vergonha alheia,
com coisas tão pequenas quanto tudo o que temos.
amar não enche barriga"
amar não enche barriga, ela disse,
e a morte me toma por tolo.
quero acreditar em fim em todos.
mas começo a desconfiar de mim mesmo.
assim me protejo de sentir-me só.
ela volta hora dessa,
de mala e cuia,
sapatos quebrados,
bolsas roubadas
e vagina ardendo.
tremendo.
e eu aceito tudo.
digo ainda:
"quase deu tempo de não chorar de saudade".
boa noite, flor morena!
boa noite flor morena,
menina donzela,
menina pequena,
querendo carinho,
carente de crenças,
livre de doenças
e alegria extrema,
alegria aos montes
sem sorte e cheia de dons.
ouça os sons do dia
nessa noite fria
numa tarde louca,
de querer que não me doa
o coração.
sou a morena musical
uma flor sensacional,
inspiração
e no corpo e na alma
de onde vem a calma que me causa dor?
complicada sou,
guerreira silenciosa,
passo linda e toda prosa,
pra que tenha o que não tem,
nem vai ter pra quem se quer
se não sou mulher,
que serei eu?
espectro da noite,
noites de açoites
coitos e desmandos.
transo de ter atitude
e não me canso de dizer.
puta não é meu nome do meio,
e exijo respeito de quem se revela,
de carinhos vou deixando a merda,
vampira moderna é meu jeito de ser.
boa noite flor morena,
menina donzela,
menina pequena,
querendo carinho,
carente de crenças,
livre de doenças
e alegria extrema,
alegria aos montes
sem sorte e cheia de dons.
ouça os sons do dia
nessa noite fria
numa tarde louca,
de querer que não me doa
o coração.
sou a morena musical
uma flor sensacional,
inspiração
e no corpo e na alma
de onde vem a calma que me causa dor?
complicada sou,
guerreira silenciosa,
passo linda e toda prosa,
pra que tenha o que não tem,
nem vai ter pra quem se quer
se não sou mulher,
que serei eu?
espectro da noite,
noites de açoites
coitos e desmandos.
transo de ter atitude
e não me canso de dizer.
puta não é meu nome do meio,
e exijo respeito de quem se revela,
de carinhos vou deixando a merda,
vampira moderna é meu jeito de ser.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
derrota
um encanto se perde.
me ponho a cantar
um hino triste.
irei ensinar
que a alma existe
na alegria e na vitória,
na derrota se conserva a memória
num fracasso aprendemos
e fortalecemos nossos laços,
damos muito mais abraços.
se nos braços não há taças,
se na vida há desgraça,
se as conquistas nunca vem,
haverá você também
de ser vencedor.
naquilo que lhe ferve o sangue.
nas coisas que lhe fazem levantar.
se nas coisas simples ninguém ganha,
coisa grandiosas
nas mãos de quem irão ficar?
um encanto se perde.
me ponho a cantar
um hino triste.
irei ensinar
que a alma existe
na alegria e na vitória,
na derrota se conserva a memória
num fracasso aprendemos
e fortalecemos nossos laços,
damos muito mais abraços.
se nos braços não há taças,
se na vida há desgraça,
se as conquistas nunca vem,
haverá você também
de ser vencedor.
naquilo que lhe ferve o sangue.
nas coisas que lhe fazem levantar.
se nas coisas simples ninguém ganha,
coisa grandiosas
nas mãos de quem irão ficar?
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
sedentarismo
meus livros foram lidos, arrastados,
meus beijos foram dados, roubados,
meu sexo foi testado e comprovado,
fiz você perder teu selo do inmetro,
iso 9001, 69, enfim,
números infinitos de posições,
jargões médicos para brincar,
e muitas divinas comédias para encenar,
mas isso é papo para outro dia,
pois, eis que me apaixono e fico de calças curtas.
sendo eu excelente em nada fazer,
visto que uso palavras difíceis mesmo sem entender,
pagando de escritor para sobreviver e tirar calcinhas de mulheres e meninas,
como hei de fazer com que tu me notes como homem?
o que tenho eu a lhe oferecer, sendo eu um monte,
um monte de bosta, um monte de outros montes,
um monte de todo mundo?
falho em perceber minha própria personalidade,
e falho como homem.
não sobra nada...
além minha vida estagnada,
que tudo
é quase nada,
perto do buraco
no meu coração.
é o vazio estranho,
que me dói o peito,
que me faz pensar em uma só questão...
onde está o controle da televisão?
meus livros foram lidos, arrastados,
meus beijos foram dados, roubados,
meu sexo foi testado e comprovado,
fiz você perder teu selo do inmetro,
iso 9001, 69, enfim,
números infinitos de posições,
jargões médicos para brincar,
e muitas divinas comédias para encenar,
mas isso é papo para outro dia,
pois, eis que me apaixono e fico de calças curtas.
sendo eu excelente em nada fazer,
visto que uso palavras difíceis mesmo sem entender,
pagando de escritor para sobreviver e tirar calcinhas de mulheres e meninas,
como hei de fazer com que tu me notes como homem?
o que tenho eu a lhe oferecer, sendo eu um monte,
um monte de bosta, um monte de outros montes,
um monte de todo mundo?
falho em perceber minha própria personalidade,
e falho como homem.
não sobra nada...
além minha vida estagnada,
que tudo
é quase nada,
perto do buraco
no meu coração.
é o vazio estranho,
que me dói o peito,
que me faz pensar em uma só questão...
onde está o controle da televisão?
complexo de bebidas, dinheiros e outras coisas
http://flocoscombacon.blogspot.com/2012/02/cachaca-e-vodca.html
me chamaram, desci,
cheguei no bar, subi,
depois de um tempo bebi,
passou mais tempo, cansei,
cansei de ser eu, me entreguei,
joguei pros meus amigos a minha alma e o meu corpo,
solto, quase louco estava,
culpa da cerveja e da caipirinha de cachaça,
essas andam de mãos dadas e não querem me largar.
não se fazem mais transportes como antigamente,
tinha o bonde,
o ônibus era quase de graça,
que graça tem se não se tem dinheiro pra passagem?
nem que esteja só de passagem e não queira demorar,
não tem graça mendigar,
pedir e implorar,
infinitivar ou calado,
dormir na rua em pleno carnaval.
ninguém ri das coisas simples.
o que faz rir de verdade são os novos valores,
os novos humores,
meninas de 14 anos grávidas,
governos e invenções malucas como caipirinha de vodca.
http://flocoscombacon.blogspot.com/2012/02/cachaca-e-vodca.html
me chamaram, desci,
cheguei no bar, subi,
depois de um tempo bebi,
passou mais tempo, cansei,
cansei de ser eu, me entreguei,
joguei pros meus amigos a minha alma e o meu corpo,
solto, quase louco estava,
culpa da cerveja e da caipirinha de cachaça,
essas andam de mãos dadas e não querem me largar.
não se fazem mais transportes como antigamente,
tinha o bonde,
o ônibus era quase de graça,
que graça tem se não se tem dinheiro pra passagem?
nem que esteja só de passagem e não queira demorar,
não tem graça mendigar,
pedir e implorar,
infinitivar ou calado,
dormir na rua em pleno carnaval.
ninguém ri das coisas simples.
o que faz rir de verdade são os novos valores,
os novos humores,
meninas de 14 anos grávidas,
governos e invenções malucas como caipirinha de vodca.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
o samba
tinha um samba antigo que eu escutava,
sempre que a vida me dava aflição.
não te contentes, neguinho,
com o que teus medos te trazem,
enfrenta e trate com carinho
a tua pretinha e os dengos que fazem
teus filhos, dizia,
e eu adorava.
acho que era do donga,
mas pouco importava.
o que a música te traz,
são lições virais,
pra vida bandida
e do que dela se tira.
desse samba tirava situações,
perdões, conselhos,
era completo como um samba enredo,
o enredo da minha vida,
cantava ele para minha filha
que tinha problemas no coração,
cantava ele pro meu filho
que já não está nesse mundão
tá por aí afora,
sendo anjo,
sendo visto,
um misto de sentimentos que esse samba dá.
era um samba do crioulo doido,
como dizia minha velha mãe,
e se um dia me sentisse 'pouco'
escutava o samba e me engrandecia,
e agradecia meus pais pelo bom gosto,
pagodinho e as revelações.
o samba é arte popular,
me faz guerreiro, independente,
esquecer meus tempos de carente
e dizer sem palavras, sempre com o pé
conheci uma mulata devassa,
debaixo das casas,
de paixão me mata
de mim dar no pé!
esse samba de mim tinha nome e sobrenome,
era vida e morte,
era querer bem.
e quando a morte vier me buscar,
irei sem reclamar,
vou me por a cantar
sentindo-me um viajante alegre
e sem rimas no bolso.
tinha um samba que eu escutava,
que me dava tudo e não me dava nada,
era só um samba,
não uma piada,
que gargalhava de mim e me gargalhava,
me fazia vivo e acreditava
que de samba o homem não vive,
mas pode sim criar homem melhor.
tinha um samba antigo que eu escutava,
sempre que a vida me dava aflição.
não te contentes, neguinho,
com o que teus medos te trazem,
enfrenta e trate com carinho
a tua pretinha e os dengos que fazem
teus filhos, dizia,
e eu adorava.
acho que era do donga,
mas pouco importava.
o que a música te traz,
são lições virais,
pra vida bandida
e do que dela se tira.
desse samba tirava situações,
perdões, conselhos,
era completo como um samba enredo,
o enredo da minha vida,
cantava ele para minha filha
que tinha problemas no coração,
cantava ele pro meu filho
que já não está nesse mundão
tá por aí afora,
sendo anjo,
sendo visto,
um misto de sentimentos que esse samba dá.
era um samba do crioulo doido,
como dizia minha velha mãe,
e se um dia me sentisse 'pouco'
escutava o samba e me engrandecia,
e agradecia meus pais pelo bom gosto,
pagodinho e as revelações.
o samba é arte popular,
me faz guerreiro, independente,
esquecer meus tempos de carente
e dizer sem palavras, sempre com o pé
conheci uma mulata devassa,
debaixo das casas,
de paixão me mata
de mim dar no pé!
esse samba de mim tinha nome e sobrenome,
era vida e morte,
era querer bem.
e quando a morte vier me buscar,
irei sem reclamar,
vou me por a cantar
sentindo-me um viajante alegre
e sem rimas no bolso.
tinha um samba que eu escutava,
que me dava tudo e não me dava nada,
era só um samba,
não uma piada,
que gargalhava de mim e me gargalhava,
me fazia vivo e acreditava
que de samba o homem não vive,
mas pode sim criar homem melhor.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
dúvidas, tenho muitas
por exemplo:
quem escreve besteiras pra sobreviver?
quem esquece asneiras que outros falaram?
quem viveu a vida inteira querendo viver?
quem enfrentou aquilo que foi complicado?
quem rosnou como um cão pra defender o melhor amigo?
quem dos seus amigos faria o mesmo?
quem venceu as adversidades e faria de novo?
quem espera alguém com espada e escudo a estender a mão?
quem começa a vida sabendo de tudo,
e quem vive começando a entender?
quem queria que o amor estivesse por perto?
quem fez por onde pra ele ficar?
quem correu atrás de alguém por tanto tempo
até perceber que não valia mais?
quem conservou e conversou com os pais,
pra no final ignorá-los?
quem joga damas no parque pra esquecer as frustrações?
quem está querendo morrer porque não dá valor a vida?
e quem joga com vidas por pura diversão?
quem criou o mundo inteiro
mas se esqueceu de criar o não?
quem travou ao falar em público
e na frente do espelho fala por duas horas em línguas desconhecidas?
quem viveu dentro de uma bolha a vida inteira sem ao menos ser doente?
quem tocou a campainha dos outros porque era engraçado?
quem conhecia realmente seus vizinhos?
quem fez sexo cedo demais e se arrependeu?
quem viu que se arrepender era o de menos e viu a barriga crescer?
quem amou os filhos mais do que a si mesmo?
quem chorou e xingou com notícias de crianças jogadas na lata do lixo?
quem já chorou pra deus só porque não tinha fé
quem te tomou por criança,
só pela casca de fora?
sem entender que o de dentro vale mais saber quem é.
por exemplo:
quem escreve besteiras pra sobreviver?
quem esquece asneiras que outros falaram?
quem viveu a vida inteira querendo viver?
quem enfrentou aquilo que foi complicado?
quem rosnou como um cão pra defender o melhor amigo?
quem dos seus amigos faria o mesmo?
quem venceu as adversidades e faria de novo?
quem espera alguém com espada e escudo a estender a mão?
quem começa a vida sabendo de tudo,
e quem vive começando a entender?
quem queria que o amor estivesse por perto?
quem fez por onde pra ele ficar?
quem correu atrás de alguém por tanto tempo
até perceber que não valia mais?
quem conservou e conversou com os pais,
pra no final ignorá-los?
quem joga damas no parque pra esquecer as frustrações?
quem está querendo morrer porque não dá valor a vida?
e quem joga com vidas por pura diversão?
quem criou o mundo inteiro
mas se esqueceu de criar o não?
quem travou ao falar em público
e na frente do espelho fala por duas horas em línguas desconhecidas?
quem viveu dentro de uma bolha a vida inteira sem ao menos ser doente?
quem tocou a campainha dos outros porque era engraçado?
quem conhecia realmente seus vizinhos?
quem fez sexo cedo demais e se arrependeu?
quem viu que se arrepender era o de menos e viu a barriga crescer?
quem amou os filhos mais do que a si mesmo?
quem chorou e xingou com notícias de crianças jogadas na lata do lixo?
quem já chorou pra deus só porque não tinha fé
quem te tomou por criança,
só pela casca de fora?
sem entender que o de dentro vale mais saber quem é.
perda
noite,
tanto faz.
quando a gente perde alguém
o tempo é desnecessário,
irrelevante,
vão.
os minutos,
as horas,
os dias,
as vidas,
tudo pára.
congela sem ela,
morre com ela.
quando a gente tem alguém
não pensa nessas coisas mínimas,
insuficientes ao perceber,
quase infladas de desimportância.
mas quando vem a saudade,
você vê que o tempo passou tão devagar,
que quando devia aproveitar,
tava se arrastando,
sem cor.
e a vida passa quase sem saber da existência de todo mundo.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
vida dura
duas horas da manhã,
sem perspectiva,
sem vida,
deitado e olhando pro nada.
umas roupas antigas, casa antiga.
o ventilador roda devagar,
quase que anunciando uma tragédia.
livros espalhados,
um quarto sujo,
televisão ligada pra ninguém.
talvez pros antigos moradores e seus antepassados.
bagunça,
o piso descola do chão,
a cama é velha e feia,
o colchão de molas...dói as costas.
tudo indicaria que não é nada,
mas vibrando eu te afirmo.
não há vida melhor.
duas horas da manhã,
sem perspectiva,
sem vida,
deitado e olhando pro nada.
umas roupas antigas, casa antiga.
o ventilador roda devagar,
quase que anunciando uma tragédia.
livros espalhados,
um quarto sujo,
televisão ligada pra ninguém.
talvez pros antigos moradores e seus antepassados.
bagunça,
o piso descola do chão,
a cama é velha e feia,
o colchão de molas...dói as costas.
tudo indicaria que não é nada,
mas vibrando eu te afirmo.
não há vida melhor.
a morte do sonho de bosques, parques e rosa choque
tenho fé em mim, sabe?
como todos nós temos que ter
eu acredito.
acredito que um dia possa melhorar,
tudo irá ser como era.
um sonhador,
mas não sei ser outra coisa.
às vezes me pego pensando em como consegui me colocar nessa prisão.
sim, sonho é prisão,
não tem outra explicação.é uma bolinha de papel sendo arremessada pra longe.
onde vai parar não se sabe, a sorte foi lançada.
mas de um jeito ou de outro,
assim como a bolinha os sonhos caem.
e se atingirem o chão com muita força,
acabam por quebrar antigas percepções.
um sonho morreu.
junto com ele fui eu mais uns três, quatro.
umas cinco garrafas,
vazias, despedaçadas,
quebradas.
mais umas duas mortes,
é preciso ter cuidado.
um sonho acaba de desabar.
é uma escolha.
tenho fé em mim, sabe?
como todos nós temos que ter
eu acredito.
acredito que um dia possa melhorar,
tudo irá ser como era.
um sonhador,
mas não sei ser outra coisa.
às vezes me pego pensando em como consegui me colocar nessa prisão.
sim, sonho é prisão,
não tem outra explicação.é uma bolinha de papel sendo arremessada pra longe.
onde vai parar não se sabe, a sorte foi lançada.
mas de um jeito ou de outro,
assim como a bolinha os sonhos caem.
e se atingirem o chão com muita força,
acabam por quebrar antigas percepções.
um sonho morreu.
junto com ele fui eu mais uns três, quatro.
umas cinco garrafas,
vazias, despedaçadas,
quebradas.
mais umas duas mortes,
é preciso ter cuidado.
um sonho acaba de desabar.
é uma escolha.
quando eu amo eu amo de verdade.
mentiras bem contadas?
as vezes a gente precisa entender o que é amor.
mas eu amo de verdade.
só não sei se sou correspondido.
um belo teste pros meus medos.
uma vida inteira eu tenho pra chorar,
se não me quiser,
outras com certeza eu hei de conquistar,
quebrar encantos,
beijar sapos e princesas,
beber mulheres e transar com vinhos
num tom de embriaguez
uma cama redonda e espelhos no teto.
libidinoso sou,
mas aprendi com a vida que nem sempre podemos ser.
um tom de sobriedade, quase que misericordioso me toma a alma.
uma esperança.
quando eu amo eu amo de verdade,
sem prazeres, nem pudores.
quando a vida não se encontra mais em mim,
é porque você está longe.
viajou com meu coração dentro da mala.
mentiras bem contadas?
as vezes a gente precisa entender o que é amor.
mas eu amo de verdade.
só não sei se sou correspondido.
um belo teste pros meus medos.
uma vida inteira eu tenho pra chorar,
se não me quiser,
outras com certeza eu hei de conquistar,
quebrar encantos,
beijar sapos e princesas,
beber mulheres e transar com vinhos
num tom de embriaguez
uma cama redonda e espelhos no teto.
libidinoso sou,
mas aprendi com a vida que nem sempre podemos ser.
um tom de sobriedade, quase que misericordioso me toma a alma.
uma esperança.
quando eu amo eu amo de verdade,
sem prazeres, nem pudores.
quando a vida não se encontra mais em mim,
é porque você está longe.
viajou com meu coração dentro da mala.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
domingo, 18 de dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
certeza
minha infinita sabedoria me põe a prova
cada vez que alguém me pergunta algo,
sinto-me fraco, perco o foco,
mas estou perdoado,
escolho ser atrasado,
prefiro não ser questionado
ao invés de me complicar.
a mais bonita das vidas é a que levo,
não nego que prezo por uma boa conversa,
mas só converso mesmo com meus versos,
e eles me contam tudo que preciso saber,
me dão coragem,
tenho medo de mim mesmo.
mas se mesmo algum anseio possa apresentar,
se alguma dúvida em mim manifesta,
toda vez que me indagam algo a revelar,
eu os respondo "você mesmo é que não presta".
minha infinita sabedoria me põe a prova
cada vez que alguém me pergunta algo,
sinto-me fraco, perco o foco,
mas estou perdoado,
escolho ser atrasado,
prefiro não ser questionado
ao invés de me complicar.
a mais bonita das vidas é a que levo,
não nego que prezo por uma boa conversa,
mas só converso mesmo com meus versos,
e eles me contam tudo que preciso saber,
me dão coragem,
tenho medo de mim mesmo.
mas se mesmo algum anseio possa apresentar,
se alguma dúvida em mim manifesta,
toda vez que me indagam algo a revelar,
eu os respondo "você mesmo é que não presta".
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
gentileza
gentileza gera gentileza,
amor,
mas o que fazer quando não há nada em volta,
e tudo o que queremos de verdade é simplesmente ter de volta
aqueles que de nós foram roubados?
aqueles que um dia foram amados,
que nos objetivaram imperativando nossas ações,
apostaram em nossas inexatidões,
relutantes, perdoaram nossas falhas.
não.
meus amigos,
gentileza não gera gentileza,
sujeira do mundo,
crime,
maldade,
infortúnios.
pessimismo?
o velho profeta que nos ensinou,
a bondade dos homens vai prevalecer,
mesmo sem saber o que se passa,
devemos confiar na nossa massa,
mesmo que essas usem maças,
bastões, porretes, armas.
os orgãos corruptos e corruptivos,
corruptíveis mexendo em fusíveis,
correndo com tesouras na mão, enlouquecidos,
jogando granadas, disparando, batendo em retirada
em meio aos gases tóxicos.
é claro que há esperança,
quem tem ela e vai atrás alcança,
abraça a todos,
beija,
festeja.
mas quantos outros velhinhos de barba iremos perder,
sendo profetas ou não,
tendo dinheiro ou não,
em meio as fatalidades,
para descobrirmos quem somos?
e porque em diversos casos a gentileza leva bala,
e essas não são festim.
entre palhaços aterrorizantes,
elefantes,
girafas e mulheres barbadas,
temos menos um homem são.
pense.
é assim com todo mundo.
gentileza gera gentileza,
amor,
mas o que fazer quando não há nada em volta,
e tudo o que queremos de verdade é simplesmente ter de volta
aqueles que de nós foram roubados?
aqueles que um dia foram amados,
que nos objetivaram imperativando nossas ações,
apostaram em nossas inexatidões,
relutantes, perdoaram nossas falhas.
não.
meus amigos,
gentileza não gera gentileza,
sujeira do mundo,
crime,
maldade,
infortúnios.
pessimismo?
o velho profeta que nos ensinou,
a bondade dos homens vai prevalecer,
mesmo sem saber o que se passa,
devemos confiar na nossa massa,
mesmo que essas usem maças,
bastões, porretes, armas.
os orgãos corruptos e corruptivos,
corruptíveis mexendo em fusíveis,
correndo com tesouras na mão, enlouquecidos,
jogando granadas, disparando, batendo em retirada
em meio aos gases tóxicos.
é claro que há esperança,
quem tem ela e vai atrás alcança,
abraça a todos,
beija,
festeja.
mas quantos outros velhinhos de barba iremos perder,
sendo profetas ou não,
tendo dinheiro ou não,
em meio as fatalidades,
para descobrirmos quem somos?
e porque em diversos casos a gentileza leva bala,
e essas não são festim.
entre palhaços aterrorizantes,
elefantes,
girafas e mulheres barbadas,
temos menos um homem são.
pense.
é assim com todo mundo.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
a menina que não tirava férias
era especial.
trabalhava e trabalhava e trabalhava.
queria viver e vivia como queria,
vez ou outra até lia, fazia, era outra,
ela mesma,
mas de fato se cansava de ser tanto,
cansada de viver tanto uma vida,
duas,
três,
que não cabiam na idade da terra.
seus dias, meses, anos,
não cabiam no calendário.
suas letras, palavras, frases,
não cabiam no abecedário.
seu amor não cabia dentro do coração.
e que coração tinha essa menina!
dividia a vida imobiliária com sua mãe,
problemas, tinha, como todos tem,
mas se abster virou uma opção,
com o mundo nas mãos nada abalava a protagonista,
sim,
protagonista de filmes dos quais ela não lembra o nome,
nem daqueles que com ela contracenaram,
de vez em quando,
estudando,
se pegava cantarolando,
canções que jamais lembraria quem compôs.
não comia feijão com arroz,
mas também não deixava mais nada pra depois.
queria ser grande.
não antes da hora,
que quem faz por onde,
vê o seu crescer,
separa sem demora,
e deixa os outros brigarem por migalhas.
quem nasceu pra brilhar,
não consegue perder nada.
às vezes só se perder de vista
e não ver quem está em volta,
batendo na porta,
vou querendo entrar.
era especial.
trabalhava e trabalhava e trabalhava.
queria viver e vivia como queria,
vez ou outra até lia, fazia, era outra,
ela mesma,
mas de fato se cansava de ser tanto,
cansada de viver tanto uma vida,
duas,
três,
que não cabiam na idade da terra.
seus dias, meses, anos,
não cabiam no calendário.
suas letras, palavras, frases,
não cabiam no abecedário.
seu amor não cabia dentro do coração.
e que coração tinha essa menina!
dividia a vida imobiliária com sua mãe,
problemas, tinha, como todos tem,
mas se abster virou uma opção,
com o mundo nas mãos nada abalava a protagonista,
sim,
protagonista de filmes dos quais ela não lembra o nome,
nem daqueles que com ela contracenaram,
de vez em quando,
estudando,
se pegava cantarolando,
canções que jamais lembraria quem compôs.
não comia feijão com arroz,
mas também não deixava mais nada pra depois.
queria ser grande.
não antes da hora,
que quem faz por onde,
vê o seu crescer,
separa sem demora,
e deixa os outros brigarem por migalhas.
quem nasceu pra brilhar,
não consegue perder nada.
às vezes só se perder de vista
e não ver quem está em volta,
batendo na porta,
vou querendo entrar.
me pediram rima
pediram rima,
eu lhes falo logo,
a rima simples,
rima fria,
mas minha poesia está acima,
declaro,
claro!
como não haveria de ser,
averiguando,
apresentando um gerúndio,
sendo recitada em latifúndios,
ocupações,
cantadas em canções e mortes,
velórios, falta de sorte,
ou encontrando um amor maior,
um substantivo ou um verbo só,
um adjetivo e as classes tomam conta.
pediram rima,
eu lhes dei um monte,
montes de bostas,
montes,
poesia sem fontes,
sem destinação,
destinatário, paixão,
vivo sem identidade.
mas a minha poesia é autêntica,
não gosto e não mexo na semântica,
na interpretântica e a na leiturântica.
de inventar palavras já cansei,
e já nem sei continuar,
mas se querem rima, olhem pra cima,
é do céu que elas vão brotar.
pediram rima,
eu lhes falo logo,
a rima simples,
rima fria,
mas minha poesia está acima,
declaro,
claro!
como não haveria de ser,
averiguando,
apresentando um gerúndio,
sendo recitada em latifúndios,
ocupações,
cantadas em canções e mortes,
velórios, falta de sorte,
ou encontrando um amor maior,
um substantivo ou um verbo só,
um adjetivo e as classes tomam conta.
pediram rima,
eu lhes dei um monte,
montes de bostas,
montes,
poesia sem fontes,
sem destinação,
destinatário, paixão,
vivo sem identidade.
mas a minha poesia é autêntica,
não gosto e não mexo na semântica,
na interpretântica e a na leiturântica.
de inventar palavras já cansei,
e já nem sei continuar,
mas se querem rima, olhem pra cima,
é do céu que elas vão brotar.
sábado, 10 de dezembro de 2011
me cansei
me cansei dos olhares fáceis de interpretar,
suas falácias,
seus pudores.
pra mim não era menos que eu jogo.
algo de passar e observar.
na verdade tantas coisas passam pelas nossas cabeças,
que nós não vemos,
nem temos a capacidade de enxergar.
tentamos ver, mas só conseguimos não alcançar.
uma palavra, um sonho,
tudo é nada mais que eu verso.
perdido no nada, dentro de uma garrafa indo além-mar,
lá pro japão.
um sentimento não se compra.
ele é apto a ser.
simplesmente com amor,
se você pode querer, pode fazer.
tudo isso e mais um pouco é o que todos nós sempre quisemos,
mas querer, meus amigos, é difícil!
e a decisão que se toma é quase sempre errada.
de vez em quando me pego pensando sobre naves espaciais, unicórnios e outras fantasias de adolescente.
mas eu tô vivo.
eu penso em levantar da cama e não ter problemas.
penso se o dinheiro vai dar no final do mês, pra comprar tudo que preciso.
me alimentar, me vestir, me calçar.
libertar-me de idiossincrasias, mediocridades,
minhas únicas conquistas.
um ser incompleto: é isso que a vida nos trás.
nada além de uma televisão chiada, fantasmas, desejos
não sou eu que falo, é o universo inteiro,
pra quem nós prestamos contas,
seja em um templo ou em um terreiro.
nos apegamos muito ao que não vemos,
mas por outro lado, também vemos muito as coisa pelas quais não temos apego algum.
o que fazer?
é um dilema moral: sonhar ou se desfazer?
me cansei dos olhares fáceis de interpretar,
suas falácias,
seus pudores.
pra mim não era menos que eu jogo.
algo de passar e observar.
na verdade tantas coisas passam pelas nossas cabeças,
que nós não vemos,
nem temos a capacidade de enxergar.
tentamos ver, mas só conseguimos não alcançar.
uma palavra, um sonho,
tudo é nada mais que eu verso.
perdido no nada, dentro de uma garrafa indo além-mar,
lá pro japão.
um sentimento não se compra.
ele é apto a ser.
simplesmente com amor,
se você pode querer, pode fazer.
tudo isso e mais um pouco é o que todos nós sempre quisemos,
mas querer, meus amigos, é difícil!
e a decisão que se toma é quase sempre errada.
de vez em quando me pego pensando sobre naves espaciais, unicórnios e outras fantasias de adolescente.
mas eu tô vivo.
eu penso em levantar da cama e não ter problemas.
penso se o dinheiro vai dar no final do mês, pra comprar tudo que preciso.
me alimentar, me vestir, me calçar.
libertar-me de idiossincrasias, mediocridades,
minhas únicas conquistas.
um ser incompleto: é isso que a vida nos trás.
nada além de uma televisão chiada, fantasmas, desejos
não sou eu que falo, é o universo inteiro,
pra quem nós prestamos contas,
seja em um templo ou em um terreiro.
nos apegamos muito ao que não vemos,
mas por outro lado, também vemos muito as coisa pelas quais não temos apego algum.
o que fazer?
é um dilema moral: sonhar ou se desfazer?
domingo, 4 de dezembro de 2011
noite entre amigos e mulheres
um sorriso mal dado,
um beijo, uns amassos,
tinhamos uma vida inteira
e não aproveitamos nada.
nos entreolhamos aquela noite e rimos,
fizemos valer a pena,
sujamos lençóis,
cantamos e ultrapassamos limites,
de nós mesmos,de vidas passadas,
tão entregues e engraçadas,
que nem mesmo pensávamos nisso.
há quem diga que podemos tudo,
mas se for tudo o que queremos,
que vamos querer?
se com um infinitivo termino um poema,
qualquer outra merda posso escrever.
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