quinta-feira, 30 de maio de 2013

reflexões de fim de vida

outro dia desses me olho no espelho e vejo que estou a morrer,
veja bem, sou velho e tenho tendências a paranoias hipocondriáticas,
segundo meu analista.
resolve me consultar, 
tirar teimas e fazer exames.
digo a ele "doutor! estou sentindo coisas estranhas,
acho que é como se fosse o fim,
mais um pouquinho terei gripe ou derrame".
ele responde com um sorriso, já guardando o receituário,
chego em casa e rapidamente me olho no espelho,
rugas por toda parte, pelancas, expressão agitada e de poucos amigos.
a maioria deles morto ou casado.
acaba que estou só ficando velho,
o reflexo me conta sussurrando que me preocupei demais
e amei de menos.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

especialidade

como volto a escrever de amor sem nunca ter sentido? 
amor. ora, não é experiência científica, 
nem tampouco pensamento filosófico.
amor é um comichão que dá no pé quando tiramos a meia depois de um dia árduo de trabalho,
amor é o lado direito da cama,
amor é dois pratos, dois copos, quatro talheres,
amor é contas a pagar quando não se tem dinheiro para se sustentar.
amor é fralda suja e notas baixas de colégio,
longas conversas sem jeito sobre sexo,
é gripe forte, catarro, febre, lembranças, cobertores, sabores e cheiros,
amor é segurar as mãos até o último dia de segurar as mãos. é tagarelar sobre o aumento dos preços.
é criar rugas de preocupação antes dos 40,
é jogar fora coisas novas e aproveitar coisas feitas à mão pela vovó.
amor é isso e muito mais,
mas o mais interessante é que mesmo sabendo o que é o amor,
nos damos conta que dele mesmo, nada sabemos.

domingo, 26 de maio de 2013

a filha da flor.

como uma flor, 
cujas pétalas seguem seu curso natural e desabam alturas exorbitantes de inúmeros centímetros,
eu disfarço meus cheiros, meus medos,
cheios de saudade e alegria,
sinto mesmo é vontade de chorar!
mas flor não chora menino! dizem.
quem disse? respondo,
não bata numa flor,
ferida pela saudade, ainda nova
ela chora,
chama pela mãe, mãe não responde,
cortada foi, já.
e as pétalas caem, feias como flores de drummond.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

fases (da vida)

meus dedos marcados
me marcam,
ferido me vejo,
poético ricocheteio pelo quarto,
uma borboleta enjaulada procurando a saída,
meus dedos sangrando
escrevem,
meus pés caminhando me servem,
ou me impedem de voltar atrás,
na poesia me acho demais,
é um vício me metalinguisticar,
me despir e me olhar,
um espelho sem fim,
um túnel de mim,
e a rima escorre pelo buraco,
me escolhe e eu me refaço,
refeito me embaraço,
fodo mulheres e me esvaio,
em sangue, sêmem e suor.

numa segunda fase
me levanto,
canto no chuveiro santo,
me desce o pranto de vida vazia,
entre o choro de raiva e a melancia,
que me mata a fome e a sede,
vejo como sou ignorante.

numa terceira fase sou um deus grego,
declamando clássicos, bêbado, anormal,
sempre fui o pior dos meus mundos,
de braços e pernas arqueados, quando não abertos,
a receber as projeções à minha volta,
me solta! eu grito, essa mediocridade,
eu aqui nessa cidade,
não sei nem mais quem eu sou...

mas numa quarta fase eu termino tudo, 
fico quase mudo,
ouço alguém entrando.
é a mulher procurando defeito,
no disparo feito,
o vermelho do chão.
e os anjos tocam as cornetas,
eu entro no céu,
mas com o cu na mão.

ninguém gosta de morrer em vão.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

apocalipse

sei que o mundo vai ficar pequeno
e sem equilíbrio.
cairá em desgraça e em amores, medo e horrores.
me meço em alegrias mistas com aquilo que a vida se encarrega de transformar em raiva.
sei que o mundo vai desmoronar e viver mais um pouco, fora de órbita envolto em fogo, trevas e religião
e o relógio do mundo pára,
e marcar a hora exata do fim das vergonhas,
de repente sem nenhum sinal de salvação que não sejam eles
a receber notícias de ontem, extratos bancários e revistas de fofoca.
o sorriso

O chão nos espera, nos acomoda e conforta.
Reintegra minha alma desamparada,
desalmada pela falta de amor.
Novos caminhos, novos sorrisos...
Não são tão indecisos.
Já foram um dia...
Apenas sorria,
sorria, sorria."

o frio do chão outrora implacável, hoje revela um calor tão intenso
quanto o sol lá fora,
E a vida melhora com o bem querer,
sem saber porque, o cheiro das rosas
Exalta a beleza das trivialidades.
O sorriso nasce e nunca mais morre.
minha alma cresce e nunca mais chora.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013


medidas drásticas e conversas internas

em um pedaço de papel velho e acabado,
coloco dúvidas e desesperança.

- escreve esse lixo e te liberta!
- não posso fazer isso,
vou à luta!
- faça o que bem entender,
sem pensar nas consequências...
- NÃO!
NUNCA!
JAMAIS!
prezo pela exatidão do coração,
o não vermelho das mãos e dos olhos,
a alegria e a ordem de viver cada dia após o outro.

- de óculos vejo melhor a situação,
com tatuagens cheias de significações e dores,
coisas em comum e tolas,
sérias e mais amores.

- é o que quero,
mas não posso não!

- bobagem!

- não!

a vida é mais que isso.
a vida é (cumplicidade).

campos grandes, infâncias e suas implicações

me vejo em uma encruzilhada,
como expulsar meus demônios,
mais escuros que a consciência de quem me olha de fora,
e ver com clareza o que me faz bem?
mas ao mesmo tempo,
incertezas e lembranças,
imprevistos, temperanças,
me impedem de seguir em frente.

sei o que é bom
pois meus pais me ensinaram,
me falaram, ensinaram,
predicaram, meus subjetivos,
objetivaram meus indicativos
e imperativaram minhas verbalizações,
mas não consigo enxergar na frente,
cabelos enrolados,
casas de vila,
longe de casa,
apenas de mochila nas costas
me tapam a visão.

portanto, não sei ao certo o que quero,
mas sei bem o que não quero 
e vou atrás disso.

pode ser errado,
mas nada que duas estrófes grandes e duas pequenas não resolvam.

e tudo se resume em alguns beijos.
um amigo meu me disse

um amigo meu me disse,
"sua vida cheia de histórias e
essas rugas marcadas pelo tempo"
não concordo, mas tenho um espírito,
aceitador,
um coração de mãe,
sempre cabe mais problemas,
um passado presente,
experiências,
ciente da beleza das coisas,
um sorriso,
um conselho,
estou sempre aberto a receber,
e como não, falar de tudo,
os segredos do pouco,
do muito,
sobrevivo e vivo,
amoroso sou e me vejo,
se meus amigos não me veem,
quando veem é a festa.

sou do tipo que se joga de um carro para pegar uma moeda,
enquanto salvo da morte um amigo.

reserva.

fiz reserva em teu coração,
caminhos tortos,
caindo, arrebentando a sandália,
um caminho de luz me afastou de Amália,
Jocasta, Luizas e Fábias,
tenho em mim uma urgência em você.

fiz reserva em teu coração,
de mão em mão passei o meu,
mas enfim de hoje não passa,
seja lá o que for que não leu,
ouviu, ficou sabendo e não entendeu,
pequenino sou,
entro por uma narina,
um orifício, de repente amplo,
santo sou, mas não,
vou atrás.
rápido chego até ele,
vermelho,
sangrando,
a qualquer preço,
me tenha do avesso
ou estreito,
direito...
sou seu.

fiz reserva em teu coração,
quando bati a porta, não havia nada,
abandonada tinha acabado de ser,
e no meio da poeira,
penduro na parede uma placa,
lá fora, saio de maca,
cá dentro só sei amar.

na placa dizeres claros,
havia chegado,
no "lar doce lar".
a paz do sorriso

a paz do teu sorriso,
um riso, infinito,
revela o siso e me deleito,
a carne dos lábios umedeço,
desço e te busco na praça,
com amor e carinho
tu me amassa,
me dobra e me joga na mala,
viajamos juntos,
te chupo, uma bala,
um sexo, calma!
vamos juntos ao nosso querer.

tudo que me dá, meu bem,
é aquilo que peço,
quando tu fecha os olhos,
me despeço dessa vida
que vida?
tanta cor se vai,
quando não estás,
tanto fiz em vida,
nada que faça sentido
se da porta pra fora te coloca.
quase me matou de amor,
essa rima instantânea,
um abrigo errôneo em teus braços,
ora mortos, ora armados,
não me encontro,
sempre fui de ver as luzes e as árvores
me cobrem,
me combina o verde das folhas
e o mel de tuas palavras.

sempre tão poético,
forçado o desejo,
intenso e de hora em hora revejo
teu véu derrubado,
passado pra trás teu casto,
teu visto
um traço e me desfaço em dor,
sempre tão hermético,
vivendo ao relento me despeço da vida a dois.

quase me matou de amor,
me amotinou,
me encheu de terror,
me reunião,
me bebeu e fumou,
a coragem ficou pra trás,
se tu me traz, me desfaz,
me distrai em alegria,
tira o sutiã, me alivia,
eu beijo teu corpo
e me vejo,
um tolo,
enlouqueço e nem penso

quase me matou de amor
e o fim é próximo,
vivo do ócio,
deitado na cama te espero
não quero te dar...

uma vida, senão de prazer,
lençóis limpos sem ter nem porquê.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

um sentimento automático

um sentimento automático,
uma drenagem de sonho,
um aromático som,
um semi prático dom,
um disparate e um tom,
cantando canções de amor,
escrevendo errado, não sei,
vivendo a vida uma vez,
duas, quem sabe até três.

um sentimento automático,
uma tranquila passagem,
uma singela homenagem,
um acento circunflexo,
uma ode ao desejo,
uma trova, um beijo,
um coração que não vejo
mas que só bate, lateja,
quando te vê bem bonita,
quando te vê de calcinha,
quando te vê toda minha,
quando é mais puro o contato.

um sentimento automático,
acaba com minhas rimas,
beleza pouca, ilumina,
os teus cabelos dourados,
teus lábios adocicados,
começam o que termina
as tuas mãos tão sedosas,
se entrelaçando nas minhas.

sábado, 29 de dezembro de 2012

o relógio

tique, tac, tarda o toque,
toque tic, tic, tac, no relógio
eu vou vendo o meu tempo acabar.

tic, tac, tac, tic, vamos logo, vamos nessa,
de repente estou vendo
a vida inteira passar.

tic, tac, tac, tic,
o relógio de repente dá defeito,
e o tempo não para de girar?

os ponteiros se reúnem,
cochichando coisas sujas,
logo, logo
meus olhos irão fechar.

e aí não tem conserto
as minhas engrenagens enferrujadas.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

precisão.

juntando os cacos todos, me reconstruí inteiro.
um riso pelo teu

um riso pelo teu,
assim, sem mais nem menos falei,
sentindo o aroma do verão e teus cabelos
perfumados em minhas mãos.
com a beleza pérfida de mil sóis brilhando intensamente
no calor do rio de janeiro.

um riso pelo teu,
eu disse assim, do nada,
revelando meus medos,
tendo em ti minha morada,
tendo a vida inteira pra lembrar.

uma risada, assim, bem calculada,
desenhada por zeus
e suas namoradas.
sorriso de ninfa
que integrava cada mito dessa minha
mitologia apaixonada.
fúria

BUM!
os anjos desceram na explosão
e as trombetas soaram nos quatro cantos,
a vida de repente se encheu de flores,
e todas as coisas viraram comédia,
e a tragédia ficou guardada nos corações
do deus (seja lá quem este for).

sim, corações.

um para cada pensamento ruim
depois da instauração da nova ordem.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

um conto de natal (e suas prioridades)

um dia eis que acordo com ar diferente,
algo em mim se sente em uma outra época,
acendo velas, faço mil pedidos,
e minha casa parece floresta
com uma árvore no meio da sala,
diversas frutas espalhadas pela mesa,
um sorriso em cada esquina.

vou atabalhoado me adaptando,
me acostumando a ser de outros tempos,
menos venenos, trabalhos, dilemas,
menos problemas que tenho de enfrentar,
ponho a enfeitar a casa, a família inteira,
sem eira nem beira podemos estar,
mas se uma bola brilhante puder pendurar,
sinto que o dia valerá e muito.

sem muito mesmo ainda me alongar,
faço um pedido que será meu último,
quero um natal para as crianças pobres,
e que esse não seja meu último,
mas se a morte quiser me levar,
desprevinido estarei e nu,
ou durante a ceia a me empanturrar,
me engasgando com pedaço de peru
aceito.

mas quando o sol nascer no outro dia,
esse amor sairá de meu peito,
estarei desfeito bem mais gordo e mau,
mas pensem pelo lado bom,
vai faltar nem dois meses para o carnaval!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

o trovão

a chuva lá fora arranhava a janela,
maria a menina na cama escondia,
seus mimos, brinquedos, bonecas,
suas velas e seus travesseiros,
sozinha em casa a menina,
chorava em seus desesperos,
os raios lá fora dançavam
uma requiem todo especial.

se enfatiota toda, maria!
a mãe disse ao telefone,
que mamãe já chega,
vou pegar o bonde
pra chegar mais rápido
ver minha menina
e esse trovão,
não pega minha filha!

ela obedeceu,
entrou no edredom,
levou um biscoitinho
e ligou a vitrola.

eis que um dia chuvoso
se torna uma festa,
e um trovãozinho
é igual ir pra escola.
eu brinco

eu brinco de escrever,
brinco de ter, ser, ler,
brinco de inventar,
hibernar em vários seres,
saberes e deveres que tenho e não sei fazer.

eu brinco de dizer que brinco,
tantas brincadeiras que eu me perco todo
nessa ciranda de doido,
almanaques loucos que leio sem entender.

brinco de ser intelectual,
pseudo, vigarista
o maioral,
tremendo enganador profissional
agenciador de palavras recém saidas de suas rimas.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

poesia de helena

antes de conhecer helena
eu já sentia saudade.
saudade de empurrar o carrinho,
saudade dos brinquedinhos,
saudades do sorrisinho
e dos domingos de farra.
saudades da alegria,
saudades dela de birra,
saudades dela e das amigas,
comendo brigadeiro de panela,
saudades de ser criança,
saudades de estar criança,
saudades de embrulhá-la quando tinha cólicas,
saudades de retribuir o que tanto helena me dá.
felicidade.

antes de saber de helena,
veio a menina serelepe com o teste na mão
e me deu a notícia.
a notícia que abalou o mundo,
a notícia do gosto de estar vivo,
a notícia de um novo ser vivo
que me deixaria mais vivo e com mais visão.
a notícia que jornal nenhum tinha em suas páginas,
a notícia que de sua boca, era mágica,
a notícia que me fez bem, mais que o bem em si.

antes de pegar helena,
venho dizer que tenho certeza,
nunca havia pego em algo tão frágil,
tão tenro e meigo,
tão mole e dependente de mim,
tão fiél e tão amigo,
tão querido e tão amado,
é tão fácil amar helena!
como é fácil,
vendo seus cabelos enrolados,
suas mãos sujas do chão empoeirado,
e seus pés negros de brincar o dia inteiro.

tenho medo de deixar helena para trás,
tenho medo do que pode acontecer,
medo dela não encontrar paz,
tenho medo que o próprio medo desfaz,
quando vejo seu sorriso uma vez mais,
quando eu vejo que sou sortudo e tenho ainda mais
que um bando de roupinhas antigas e lembranças esquecidas.

antes de existir helena
tinha saudade.
saudade de coisas que ainda não vivera,
saudade de uma vida que antes dela não fazia sentido,
que antes de vida, era frio e intenso escuro,
e ela trouxe aquilo tudo que eu sempre quis.

antes de existir helena,
eu era ela.
só não sabia que vindo de outra barriga,
helena, tão minha,
ia doer mais em mim a sua não presença.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

no escuro

no escuro se escreve tudo
no escuro nós temos tudo o que queremos,
tudo que pensamos, vemos e sabemos,
no escuro me acho todo,
me perco,
meu endereço,
apreços,
e preços,
valores e cores,
dores e temores.

no escuro encontro um lugar,
um lugar todo escondido,
pronto pra eu poder chorar,
e jogar nele luz,
risco um giz no chão e apago com os pés,
tateio, busco lamparinas de razão e lâmpadas de emoção.

não há nada.

no escuro tem brincadeiras,
sexo,
no escuro fazemos festas a beça,
calçamos botas e saímos pela janela,
no escuro inventamos um cotidiano,
travamos duelos e construímos castelos,
fortes,
no escuro não temos medo da morte.
espuma

espuma branca lava teus cabelos,
espuma branca tira os meus beijos,
espuma branca lava as vaidades,
espuma branca leva meus desejos,
espuma branca limpa tiranias,
espuma branca deixa ideologias,
espuma branca causa minhas manias,
espuma branca me enche de agonias.
espuma branca só me arde os olhos
quando contemplo teu corpo molhado,
tomando banho os dois juntos em casa...

vejo a água lhe descer as curvas, nua,
espuma branca que lava minha'lma
e tu me e
               s
                 c
                   o
                      r
                        r
                           e

                                  a beleza tua.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

acho que...
 
acho que estou recarregando as baterias,
as surpresas do dia a dia,
as acentuações graves e as vozes agudas,
as moças mudas, diante a violência,
as ruas imundas mediante pagamento,
as costas largas devido ao tempo,
e o tempo curto que devo ao trabalho.
 
acho que minha vida se define só,
dois ônibus cheios e eu só o pó,
observando,
tentando me mostrar no esquecimento,
uma vez que sento, entra algum idoso,
uma mulher grávida,
alguém mais cansado,
se não levanto, chamam de malvado!
 
acho que se escrevo, não leio,
se leio,
mal junto as palavras,
as coisas,
uma dislexia moderna de ver sem sentir,
é o problema do povo,
uma flor vira um nojo
num poema moderno e descarado.
 
acho que tenho todo um charme,
cabelos coloridos,
queridos e amados,
armados em dia de chuva,
crespos na umidade,
que saudade das madeixas longas e lisas da semana passada.
hoje a tia da esquina guarda na lixeira do salão.
 
é isso,
simplicidade,
compro pão, faço amizades,
reclamo de dor,
sinto saudades,
aumento o som
para não escutar as vaidades
que me invadem.
 
acho que estou recarregado,
num poema longo te trago,
numa vista ao longe, te vejo,
num poema pobre, te beijo e me apego a um desejo
que me faça bem.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

cabelo

lembro de cheiros, dengos, medos.
lembro de tudo um pouco,
lembro de tarde, lembro de cedo,
lembro de ir pra cama,
lembro de ser ninado,
lembro de estar sendo amado,
lembro de uma vida inteira,
sem eira nem beira sou,
mas beleza pouca vi,
beleza intensa, imensa, tremenda,
beleza linda, tão linda e tão cheia de si.

lembro de cabelos negros como jabuticabas
e você sorrindo pra mim.

a vida só me basta, simples assim.