sexta-feira, 23 de setembro de 2011

estrela cadente

uma estrela me avisou que minha vida ia mudar,
sei lá, comecei a cantar, bater o pé no chão,
tremer de emoção,
mas não,
era um mudar diferente,
e o meu feliz e contente,
virou é preocupação.
a estrela sapeca, era em verdade cadente,
já no fim, inconsequente,
quis mexer com meus temores,
as promessas e os amores
que um dia hei de ter,
não são por causa de uma estrela,
brilho fraco,
quase morta,
mas que hoje já não sei não ver.

e quanta luz ela me traz, meu Pai!
tanto vida ela me dá,
que ela própria não notou
que a mudança ela que fez,
para mim e pra vocês,
só olhar pro céu e pronto.

quantas rimas eu mereço,
o meu brilho, desconheço,
mas a estrela me disse, caindo,
que eu caio com ela se não me aprumar.

a mudança da sua vida,
mundana vista do mundo,
você começa agora.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

a estrada

uma estrada longa e velha,
manchada com sangue, choros e velas,
estampada nas telas de qualquer pintor,
representa então, tal estrada o amor
de quem sonhou um dia passa lá por ela?
aliás de quem era esse sonho?
e na estrada corre um drama à toa,
uma comédia, vidas ruins e boas,
ritmos, rimas, loucos,
e de esperança não morrem jamais.
sabem da vida da gente,
felizes, contentes porque da estrada vivo ninguém sai.

o nome da estrada é solidão, dizem,
sem solução, cometemos deslizes,
sem as estrófes não somos felizes,
a vagar devagar pelo tempo,
sem acalmar os ânimos ao menos um momento,
sem jogar uma palavra ao vento,
dentro de um coração amargurado,
que de pirraça não foi visitado
por ninguém a não ser por ti mesmo,
se um dia pensares que o coração morre,
organizarei para ti um cortejo.

desde pequeno sonho com meu dia,
em que da estrada enfim saírei,
no horizonte já enxergo uma esquina,
uma vida inteira sabendo o que sei.

que o caminho se encerra talvez.
acústica

a sala inteira respirava fundo,
coisas novas, mundo novo, tudo.
eu gritava dentro de mim, mudo,
e entrava em pânico em silêncio.

quando alguém falava bem baixinho,
era estranho, sentimento intenso,
e a acústica do pensamento,
ecoava a minoria inteira.

me perdoe se começo tudo,
e no mundo em si já me revelo,
e nessas rimas ridículas, tolas,
entram em cena essas palavras belas.
mas não vou me dar tão por vencido,
se sumido me entrego todo,
e gritando me vejo, calado,
e pensando a acústica me leva.

só há um problema em pensar,
falar sem ter passado pelo filtro,
nessa sala mal iluminada...

(o barulho esconde minhas besteiras).
há um cansaço estranho em mim,
enfim posso ver o escuro,
tudo a frente, sempre em frente é tudo
que não posso presenciar.
onde posso estar?

há um humor estranho em mim,
sim! ainda tenho salvação,
amor pra dar,
não! não posso ainda desmistificar
o invulnerável em mim e evoluir,
terminarei por ruir como um todo.

há um fim estranho em mim,
a luz desaparece,
cresce o poder,
apagam-se as luzes,
apego-me as cruzes,
mudas de tanto falar de Deus.
e aos ateus, não vos resta nada,
reflexões apenas em hora errada,
apenas sombras dessa luta armada,
que um dia nos fez ter lembranças...

















de um tempo que hoje não existe,
passado já foi, mas dele esqueço montes,
de vidas minhas, outras degradantes,
e em meus olhos brilhos de um desejo antigo.
canção do idealismo

ainda que seja forte a jornada,
e meu espírito ferrenho aqueça,
eu luto claramente por beleza,
por um amor, natureza acabada.

de toda vida só carrego a mim,
no coração carrego mais de mim,
por mais que peça a você que venha,
carrego em mim as cores do Brasil.

levo a coragem da mudança intensa,
o que preciso, voltar a lutar,
pois nada vai mudar a minha crença
de que estou aonde devo estar.

não pego em armas, só meu coração,
de vida livre a liberdade sofre,
mantenho minhas armas em meu cofre,
à minha eterna luta contra o não.

basta minha estrela tornar-se imortal
lutando ou nunca sucumbindo ao mal.
carência de sentido

é bem subjetivo, meu amigo,
esse negócio doido de carência de sentido!
se eu tô vivo e respirando,
me lembrando, interessado,
querendo a história cientificar...

não me venha dando uma de esperto,
mexendo e trocando de lugar,
levando de um lado pro outro,
girando a minha matriz disciplinar!
juro que não volto,
volto a não jurar,
fico mudo, discursando
e deslumbro a alegria,
sorria, chore!
perceba que não estás em má companhia!
dizem que não escrevo de amor.

bom.

é que pouco sei sobre tal coisa,
e não gosto de mentiras.
que seria eu, ao contar a mais cruel de todas?
incerto

é incerto viver, ter,
é incerto um porque, querer saber,
é incerto você me pedindo perdão,
é incerto a incerteza de ser quem não sou,
e me vou, sabendo que aos poucos,
em cada pergunta me esqueço onde estou.
do lado de dentro

do lado de dentro me vejo incompleto,
estranho, invertido,
um sino toca na cabeça e eu mudo
o tom da conversa e da consciência,
a poesia tem prosa e verso,
esquece de me ver desmoronar.
se tivesse pro'nde ir, ia logo,
sem enrolar,
e fazia dessa poesia doida,
sem rima, sentido,
com certeza o meu lugar.
a missão (o mistério do poeta)

tenho um dever nessa vida,
tenho aqui uma missão.
trazer amor,
trazer calor,
enfim, viver por ti,
sem mim, nem eu,
só teu, serei.

quanto tempo fiquei aqui a pensar,
que um verso longo não vai aguentar,
se hoje tenho isso
sem vida, ser vivo,
olhar teus olhos, omisso,
beleza em si, me entristeço,
e com saudade olho para trás...
atrás de mim tem um milhão,
milhões de sonhos, milhões de amores,
calores.

e eu com frio, sozinho e de porre.
o escrever do eu escravo

escrevo um poema,
enredos para cinema,
e talvez depois me falte vida pra continuar.

escrevo pois quero minha vida mudar,
escrever me dá
e ainda quer receber,
então minha alma depende do ser...

(se valesse a pena todo mundo ia tentar escrever também).

peguei um papel e manchei,
nele usei, coloquei
toda a desgraça e o ódio,
toda alegia e o sorriso,
é como uma casa se fechando,
as paredes entrando em mim,
mil facas, mil dores, mil choros.

com que propósito?
sou escravo de ser qualquer um.
o fim do amor

começa com uma ligação,
uma conexão,
um sentimento inquebrável
que se espatifa como vidro velho no chão florido.

e não é nada glamouroso,
é a vida escapando pelas suas mãos,
e a certeza de que lá se vai um pedaço da alma.
o relógio

que pergunta terei e quem serei
se nem um verso sai?
logo minha mente terá coisas mais importantes com que se preocupar do que essa história de poesia.
e aí?
ha ha
aí acabou tudo.

sinto o tempo passando estranhamente.
que faço eu com cada vez menos de mim?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

como conquistar uma mulher de verdade

sempre que encontrares um abrigo,
faça dele do teu gosto,
pinte, borde, solte o verbo,
pra deixá-lo sempre assim,
de um jeito no qual possa,
mesmo assim sem compromisso,
sem rima, nem submisso,
entender de onde venhas,
e ainda que não tenhas esperança,
num anacronismo ou numa lembrança,
me retoque com teu ser completo,
que ainda nessa vida
eu irei te abraçar.

que abraçando a tua alma,
simplesmente puro abraço,
teu amor ainda hei de ver ganhar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

te faço gato e sapato,
te mato, trago e não trago
de maio, ao dezembro amargo
o que há pra se fazer?
te enterro, pego e não nego,
dispenso, troço e destroços,
pedaços, laços expostos,
movendo casos e acasos,
mortes morridas, matadas
vidas sem sorte, acabadas
amadas e mal amadas
de tanto despedaçar.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

inspirações e briguinhas de casal

algumas pessoas me perguntam
de onde vem inspiração,
que faz o coração tremer,
mexer meu corpo
e umedecer as pernas,
com versos cansados,
versos modernos,
de terno e gravata.

não sei responder,
de lugar nenhum, acabo dizendo,
e tremendo fico eu,
com tanto sentimento,
mesmo assim não faço questão.

poesia é só palavra,
não umedece nada
nem reclama o teu perdão.

domingo, 21 de agosto de 2011

paixão no largo da carioca

num gole só a bebo inteira,
tenho muitas garrafas em minha geladeira,
sua essência ainda muito em mim,
e de repente, assim, sem mais,
me sinto em paz, decente,
expondo um sentimento morno,
vivendo em torno de um bem querer,
um querer sem ter
aos montes,
bebendo das fontes de uma calmaria,
aqui dentro és mais puritana,
do que lá fora mostra-se vadia.

para conquistá-la por inteiro,
terei de esperar passar o dia.

(isso não deve ser bom para minha alegria)
companheirismo

e de todas as trivialidades de que me lembro,
aquelas nas quais estava
são as que tem a maioria das significações.
se não fosse por isso,
jamais estaria lendo essas cartas velhas
ou até mesmo pensando em como me arrependo de nunca ter sido realmente livre.
desempedido,
ou simplesmente desprovido de sentido
sem você comigo,
sem o barulho das canecas quebradas
nem tristezas gritadas.
só o fim me põe a prova.
de ser verdadeiro ou não.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

memória

faço a história,
de hora em hora,
sem demora,
não faço hora,
ora em pé, ora deitado,
desanimado,
sem ânimo,
em pânico ou êxtase,
metástase de pensamento,
palavras com o vento,
contra o vento,
medo,
desesperação,
de arma na mão,
lutando contra tudo e todos,
mortos, todos,
e nem sempre longe de tudo,
meus demônios participam.

faço agora,
presente, passado, futuro,
mudo,
desmudo,
mundo,
todo,
todo o mundo,
muda
na mudança da memória.

o agora pode nem sempre ser,
se a prisão do tempo tiver pra onde ir,
sem o ir e vir quem sou?
pensou a morte.

fim sem sorte, exclamei sem pensar,
e de tanto achar filosofia,
fui parar num posso sem fundo,
até o pescoço.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

não sei se gerado por curiosidade mórbida,
ou por loucura baseada em alcoolismo,
resolvi entender a mente feminina.

(...)

acabei cansado, triste, impotente,
de tanto chorar e participar de seus terrores.
se eu dissesse que tudo foi simples,
e pensamentos mudaram outras mentes,
tristes acasos, ora dormindo, ora acordado,
sem me ligar em amanhã?


terça-feira, 9 de agosto de 2011

crescimento

hoje conversei e me abri,
amanhã nem sei.
todas as coisas que senti, pensei,
eram estranhas no espelho.
não se vê mais tantos devaneios,
nem sentimentos de alegria e dons.

hoje eu sou moleque,
amanhã talvez,
não entenda mais o que é amar,
não saiba demais me enterrar
em tanta pouca idade sem responsabilidade.

e de hoje em diante prometo avançar,
ganhar tragédias e maturidade,
compor canções de rotas e coragens,
beijar as bocas sem contar vantagens,
cantar e afetar sonoridades,
crescer e florescer,
viver enfim.

e para que assim isso aconteça,
deve-se ter um pensamento apenas.
que todos outros rostos entristeçam
e o teu rosto seja mais ameno,
sem o peso do pranto e desgosto,
viver sem ter educação e dor,
mas se quiseres crescer ser humano,
terá que colorir-se de outra cor.
recomeço

contanto que a vida não me negue nada,
vou atrás do que me pertence e ainda nem sei
se volto ou não volto,
mas se retornar volto de bagagem cheia,
de sonhos ainda escondidos,
matérias solidas e diluídas,
experiências compartilhadas e perdidas
e um resto solto, meio em vão.

mas se quisermos tudo isso,
conhecimento é mais que necessário,
mantenha tudo escrito no diário,
não altere seu itinerário à toa,
nem por opressão.

se o amor une duas pessoas,
o que um sequestro não fará então?

um poema tão pobre e perdido,
uma flor assim despedaçada,
ainda encontra em si a ti, salvada
e da memória não será deixada
e de repente um tanto de coragem,
oportunidades aparecerão,
para unir todas as rimas fracas,
fazer cantar com um só coração.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

interno

tudo era escuro e frio,
solitário e em mim nada crescia senão o medo,
logo fui sabendo, descobrindo,
me surpreendendo
e de nada adiantava o abrir das bocas,
puxar de cabelos,
ventos de cá e de lá,
pobres ventos que me trazem,
nada além dessa saudade,
que me invade e me entristece.

tudo era bom e velho,
como saudoso era o tempo,
e sem tempo eu me encrespava
com quem vinha aborrecer,
de vez em quando quem era,
musicava, até fazia bonito
uma poesia solta,
um verso puro, soltinho.

era como se houvesse em mim,
a felicidade plena de ser,
de um jeito ou de outro, um toque,
uma lembrança,
cosquinha no pé,
mordidinha no nariz,
quem diz que nas coisas pequenas não há glamour?
digo o que digo e sei o que digo,
se não tens tanta certeza,
não se apegue as palavras.