Ausência
Engasgo.
me calo, feridas na boca,
destruo pensamentos,
não posso expressar
aquilo que vejo.
Choro.
a dor,
o mundo agora sem cor,
não posso falar,
doença não deixa,
me deixa! eu digo,
e nada.
As palavras são como a vida
inteira,
centelhas de medo e horror...
as falas são concluídas com problemas,
como posso viver?
como posso eu viver,
sem fazer aquilo que fui feito para?
como posso eu seguir em frente,
com os pés amarrados nas costas,
tendo que me arrastar através da ignorância,
coisa triste é o calar,
sempre me falam isso,
entendem eles o que passo?
não.
Claro que não,
mas quem poderia?
eu sou o que sou,
sem as palavras não sei,
com elas me entendo,
sem elas, não sei,
ou sei e não posso dizer.
Quem sou eu afinal?
quem seria se a doença não me
consumisse?
o sangue sai na saliva,
salivada de simples e simplórios
sempres e nem sempres.
Rotina.
Calo-me.
quem me ajuda?
me estenda a mão e faça.
Ou não faça e fale.
Ou não fale e escute.
Mas eu não posso falar.
Quem sou eu afinal?
palavras ao vento,
tremendo de medo de não mais voltar.
Sou Augusto dos Anjos,
sangrento exponencial da alma pútrida,
sentado em um mar de esgoto transitório.
Sou Mário de Andrade,
arrancando árvores,
fragmentando as aves
e valorizando capoeiristas.
Sou Drummond de Andrade,
com seu 'sou confuso' mas sou consagrado,
me entende quem quer e não sou demócrático
sou hermético, porém 'que se dane'.
Sou morto de fome,
fome de intenções,
de ilusões,
de armações perdidas,
do fundo da alma
de canções vazias,
quando as palavras não ousam voar.
Tentar-me-ia delimitar,
mas sou oblíquo cônico,
intenso arredio.
"Que isso, que isso?!
desculpe a franqueza, mas cale-se de uma vez,
pois há horas que parecem anos,
reclama de estar doente e cansado,
mas as palavras fogem de ti e ameaçam a todos
nós.
Diz-se de uma vez, calado
e não pára de falar.
o quê que há?"
"não me leve a mal, é que me expressei mal,
não seja tão mau de não me achar normal...
sou um unânime anônimo.
tenha um bom dia."
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Meu amor, não suma
não suma com o vento,
vento intenso de vidas marcadas,
tantas certezas de transas quebradas,
o quebrar das ondas, de tantas amadas
que tive de tanto me afastar de ti.
não suma com a vida,
o vento segura, querendo soprar,
me falam de coisas, entendo o amar,
de vidas marcadas o infinito entrar
e sair de transas quebradas.
e que fosse agora ou depois
de você,
querendo e querendo cantar, não morrer,
que rimas infinitas,
de infinito querer,
tantos infinitivos não me fazem crescer.
e de amor não me mexo,
com o vento de lágrimas,
essas gotas marcadas de sangue e de dor...
cada vez que te vejo, descubro um desejo,
estranho lampejo de viver o amor.
não suma com o vento,
vento intenso de vidas marcadas,
tantas certezas de transas quebradas,
o quebrar das ondas, de tantas amadas
que tive de tanto me afastar de ti.
não suma com a vida,
o vento segura, querendo soprar,
me falam de coisas, entendo o amar,
de vidas marcadas o infinito entrar
e sair de transas quebradas.
e que fosse agora ou depois
de você,
querendo e querendo cantar, não morrer,
que rimas infinitas,
de infinito querer,
tantos infinitivos não me fazem crescer.
e de amor não me mexo,
com o vento de lágrimas,
essas gotas marcadas de sangue e de dor...
cada vez que te vejo, descubro um desejo,
estranho lampejo de viver o amor.
Teatro
me dê tragédia, uma cortina grossa,
me dê a guerra e a comédia em si,
por favor, alguma coisa para pôr aqui.
Me dê a vida e a morte assim,
que a vida é nada sem amor pra mim,
que tantas vidas houvessem ali,
para que nada apagasse o que vi.
Eu lá, sentando,
na primeira fila,
esperando o sino, o aviso,
minhas filhas,
gritando, elas não entendem...
me dê um minuto de hora,
me dê um querido suspiro,
aquele que me persegue e não me deixa ir..
quando a cortina descer e o drama também
veremos o quanto nossa rotina realmente vale.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
sábado, 18 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
Conto de duas faces
quando um conto entra,
um tanto quanto tenta,
entrar em tanto conto
de contar tudinho,
ser pequenininho
e desaparecer.
tanto quanto volta,
volta a ser um conto,
conto de outros contos,
ponto de outros tantos
também aumentados.
quando aumenta um conto,
quem conta esse ponto
de aumentar um conto
e contar o tanto,
de alegrar o sonho e dizer adeus.
quando um conto entra,
um tanto quanto tenta,
entrar em tanto conto
de contar tudinho,
ser pequenininho
e desaparecer.
tanto quanto volta,
volta a ser um conto,
conto de outros contos,
ponto de outros tantos
também aumentados.
quando aumenta um conto,
quem conta esse ponto
de aumentar um conto
e contar o tanto,
de alegrar o sonho e dizer adeus.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Überzug ( Verlangen)
Sumiu e nunca mais me achou,
sumiu e nunca mais voltou,
assim, de repente,
sem dó, sem dor,
voou e voou e voou,
pra bem longe.
Sumiu e de relance eu vi,
a carta que mandou pra mim,
cheio de mundos e fundos,
cheio de dengos extremos,
cheia de tanto desse sentimento
mútuo.
Sumiu e quando voltou,
me trocou, sei lá,
me usou,
e volta enfim casada.
Sumiu e sem querer chorei,
chorou,
me olhou como se tudo fosse um só,
e a alegria em fim voltou.
Ou pelo menos tentou voltar,
até que o louro alto,
falando alemão ralo,
de supetão apareceu na porta.
- das wenn rosine hier? eine emeinheit?!
e aí logo voltaremos à realidade.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
A teoria dos pombos
ela em si já é um poema, e como se não bastasse, ainda é um relâmpago que vai e volta, do mesmo lugar, com a mesma intensidade. ela é cativante pra quem não sabe o que isso significa e interessante no meio das pedras mal lapidadas. Baseado nos pensamentos 'avoados' de Nina Beatriz Pompeu.
De uma linda ave alva
nasce um bicho novo, solto,
ele é dono disso tudo
que estamos a enxergar.
Esse bicho novo é negro,
perigoso, injustiçado,
dono de penas tão raras,
tomado, tão acabado.
Dominarão o mundo,
essas aves, esses pombos,
esses bichos tão tristonhos,
só que sem mais ter porque.
A cidade será deles,
que por medo ou descuido
dão aos humanos o mundo
que eles querem destruir.
Os pássaros da cidade,
tão misericordiosos,
se encontram, vivem todos,
de cabeças para baixo,
mas a coroa em todas elas
evidencia ferida aberta,
demonstrando a realeza que outrora era verdadeira.
Mas os pombos negros, outrora brancos,
dão um viés de saudade ao que estão a enfrentar,
quando tomam de assalto, todas as coisas terríveis que tiveram de passar.
sábado, 21 de agosto de 2010
Poesia da Sanidade
apesar de ser tão solto,
a alegria dura pouco
pra quem deixa de sonhar.
De loucura eu não morro,
de certezas já não corro,
maluquices, desaforos
que mais tenho que enfrentar?
todo esse dia a dia,
sempre na mesma harmonia,
loucas, loucos, loucos, loucas,
dando voltas e mais voltas com o que
tenho de aguentar.
Que loucura louca é essa,
onde vai com tanta pressa,
pelo menos se despeça
de mim quando for embora...
sanidade corriqueira,
superou essas fronteiras
já saindo porta afora.
E ao lidar com a sanidade,
tinha desacostumado
é tão fácil ser amado...
sem esse brilho selvagem,
e então o que me sobra,
escrevendo essa obra
esse poema quebrado.
Sem saber o que estou dizendo
esse texto vai morrendo,
e a loucura vai querendo
e querendo demais cor...
acho que essa sanidade,
que tentei por tantas partes
esconder de minhas entranhas
que decepção tamanha
ver como sou louco em dor...
mas não se esqueça, pensante!
meu amigo ignorante,
que um louco ainda pode
cantar e te dar amor.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Reflexão (amizade V)
pra ele, Daniel D.
pra ele, Kainã G.
pra ele Henrique N.
pra ele Jorge M
pra ele Gabriel C.
pra ele Matheus M.
pra ele Victor P.
eles me ajudam a pensar, escrever, e estarão lá antes do fim.
eles me ajudam a pensar, escrever, e estarão lá antes do fim.
mesmo que não saiba que foi sem querer,
querendo ou não ajudará você
a espantar os monstros que te cercam.
amigo, me ajude a crescer,
mesmo que me tentes a não mais viver,
em diversos tempos me vi sem mais ter
aquela graça toda que aos poucos me levam.
amigo, me ajude a escrever,
algo que não seja horrível,
algo que seja plausível,
versos de não sei o quê.
Adultério
obrigado
passado pra trás,
metido em loucuras,
fervuras demais,
levando pra casa
o medo que faz,
da guerra e confusão
uma forma de paz.
Agora desisto ou insisto
em não querer nada,
decepção amarga
de tanto querer mal.
De tanto causar fingimento,
mentira cruel me desfaz,
a rainha que outrora dizia
que de verdade não se desafaz,
e de alegria é mais fácil a vida
e que de choro a gente leva e trás.
Dentro de tudo, o cansaço imenso,
faz emergir aquilo que te agrada
por tanta mágoa escondida dentro,
por tanta coisa não agraciada.
E nessa vida tanto sentimento,
tanta vida, tanto medo errado,
tanto amor deveras enrugado,
não é verdade viver só na paz...
de quem diz ' te amo' aqui dentro,
mas que lá fora ama tantos mais.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Amizade IV
Parabéns pelo seu dia, Gui, obrigado por ser sempre um dos melhores. te amo cara!
Tantas vezes na vida chorei
por achar que não tinha um amigo,
desde quando entenderei
que sempre estarás comigo?
que todas as coisas que vivemos,
são todas das quais me lembro
sempre juntos nos queremos
viver, brincar, driblar o tempo
para que a alegria venha,
e para que amizade pra sempre tenha,
um coração inundado de sentimento,
e nada mais.
Sempre se lembre, amigo,
estarei sempre aqui,
lutando e chorando contigo,
sorrindo e brigando por ti.
domingo, 8 de agosto de 2010
Amizade III
Léo Calandrini, meu fera esse é seu!
Sinto falta do que foi,
tanta falta do depois,
as vezes falta de nem ter,
falta incrível de você,
amizade sem querer,
quem me deu a luz de ver,
que amizade não se compra,
e nem teria porque.
Comparando as amizades,
peso tudo na balança,
quem tem sua irmandade,
acredita e alcança.
O depois, o impossível,
não parece tão terrível
quando estava a reclamar.
Às vezes o que se pede
é simplesmente 'quero estar aonde está'
Sinto falta do que foi,
tanta falta do depois,
as vezes falta de nem ter,
falta incrível de você,
amizade sem querer,
quem me deu a luz de ver,
que amizade não se compra,
e nem teria porque.
Comparando as amizades,
peso tudo na balança,
quem tem sua irmandade,
acredita e alcança.
O depois, o impossível,
não parece tão terrível
quando estava a reclamar.
Às vezes o que se pede
é simplesmente 'quero estar aonde está'
sábado, 7 de agosto de 2010
Sinfonia do Amor
Meias entradas, meias oitavas, meias claves,
tanto querer, tanto poder, não aceitar,
e de alegria vou guando os enclaves
e atribulados os acordes a tocar.
E dessa música divina ao coração
nasce um amor, quanto amor em versos teus!
de vez enquando até tentas dizer não,
mas sempre arrumas tempo para ler os meus...
mas se nada dessa música aprender,
se nada mesmo quiseres ter tanto fim,
nessa canção, do coração me fez querer
teu coração em sinfonia escrevo assim.
tanto querer, tanto poder, não aceitar,
e de alegria vou guando os enclaves
e atribulados os acordes a tocar.
E dessa música divina ao coração
nasce um amor, quanto amor em versos teus!
de vez enquando até tentas dizer não,
mas sempre arrumas tempo para ler os meus...
mas se nada dessa música aprender,
se nada mesmo quiseres ter tanto fim,
nessa canção, do coração me fez querer
teu coração em sinfonia escrevo assim.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Texto de encerramento do meu primeiro livro, O Mágico Convívio, cotidiano do jovem poeta.
Poesia do C’est Fini
De tanto me acabar em verso,
resolvi parar de escrever,
mas outros ventos, textos que converso,
trarão a paz que costumo querer.
Bem de verdade eu repouso a pena,
em pergaminho e tinta já não penso,
penso em levar a vida mais amena,
e escrever um texto não tão tenso.
Quando voltar saberás que estive
alegrando outros horizontes,
voltarei suspeito de alguns crimes
e na mochila trarei verso aos montes.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Solidão
De vez em quando eu sinto saudade,
daquele tempo simples e melhor,
onde te amar não trairia dó,
e de verdade não seria só,
e a alegria era bem maior,
e a agonia era tão pior
que nem sequer se colocava em mim.
De vez em quando eu tenho vergonha,
de admitir assim quanto te quero,
de aguentar a falta de sucesso,
falta de força daquele que sonha,
falta de acordo entre parte e outra,
a falta de sorte entra pela porta
e não deixa teu amor entrar.
Saia rodada, maquiada, em festa,
o que eu queria era ver-te lá,
me apaixonando cada dia mais,
pra cada dia mais me emocionar.
Esse é o castigo que o coração dá,
vida inteira de querer sem ter,
vida inteira de estar sem estar.
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