sábado, 21 de agosto de 2010

Poesia da Sanidade

O problema de ser louco,
apesar de ser tão solto,
a alegria dura pouco
pra quem deixa de sonhar.

De loucura eu não morro,
de certezas já não corro,
maluquices, desaforos
que mais tenho que enfrentar?

todo esse dia a dia,
sempre na mesma harmonia,
loucas, loucos, loucos, loucas,
dando voltas e mais voltas com o que
tenho de aguentar.

Que loucura louca é essa,
onde vai com tanta pressa,
pelo menos se despeça
de mim quando for embora...

sanidade corriqueira,
superou essas fronteiras
já saindo porta afora.

E ao lidar com a sanidade,
tinha desacostumado
é tão fácil ser amado...
sem esse brilho selvagem,
e então o que me sobra,
escrevendo essa obra
esse poema quebrado.

Sem saber o que estou dizendo
esse texto vai morrendo,
e a loucura vai querendo
e querendo demais cor...

acho que essa sanidade,
que tentei por tantas partes
esconder de minhas entranhas
que decepção tamanha
ver como sou louco em dor...

mas não se esqueça, pensante!
meu amigo ignorante,
que um louco ainda pode
cantar e te dar amor.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Reflexão (amizade V)

pra ele, Daniel D.
pra ele, Kainã G.
pra ele Henrique N.
pra ele Jorge M
pra ele Gabriel C.
pra ele Matheus M.
pra ele Victor P.
eles me ajudam a pensar, escrever, e estarão lá antes do fim.

amigo, me ajude a morrer,
mesmo que não saiba que foi sem querer,
querendo ou não ajudará você
a espantar os monstros que te cercam.

amigo, me ajude a crescer,
mesmo que me tentes a não mais viver,
em diversos tempos me vi sem mais ter
aquela graça toda que aos poucos me levam.

amigo, me ajude a escrever,
algo que não seja horrível,
algo que seja plausível,
versos de não sei o quê.
Adultério

obrigado

Me sinto perdido, roubado,
passado pra trás,
metido em loucuras,
fervuras demais,
levando pra casa
o medo que faz,
da guerra e confusão
uma forma de paz.

Agora desisto ou insisto
em não querer nada,
decepção amarga
de tanto querer mal.

De tanto causar fingimento,
mentira cruel me desfaz,
a rainha que outrora dizia
que de verdade não se desafaz,
e de alegria é mais fácil a vida
e que de choro a gente leva e trás.

Dentro de tudo, o cansaço imenso,
faz emergir aquilo que te agrada
por tanta mágoa escondida dentro,
por tanta coisa não agraciada.

E nessa vida tanto sentimento,
tanta vida, tanto medo errado,
tanto amor deveras enrugado,
não é verdade viver só na paz...

de quem diz ' te amo' aqui dentro,
mas que lá fora ama tantos mais.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Amizade IV

Parabéns pelo seu dia, Gui, obrigado por ser sempre um dos melhores. te amo cara!

Tantas vezes na vida chorei
por achar que não tinha um amigo,
desde quando entenderei
que sempre estarás comigo?

que todas as coisas que vivemos,
são todas das quais me lembro
sempre juntos nos queremos
viver, brincar, driblar o tempo

para que a alegria venha,
e para que amizade pra sempre tenha,
um coração inundado de sentimento,
e nada mais.

Sempre se lembre, amigo,
estarei sempre aqui,
lutando e chorando contigo,
sorrindo e brigando por ti.

domingo, 8 de agosto de 2010

Amizade III

Léo Calandrini, meu fera esse é seu!

Sinto falta do que foi,
tanta falta do depois,
as vezes falta de nem ter,
falta incrível de você,
amizade sem querer,
quem me deu a luz de ver,
que amizade não se compra,
e nem teria porque.

Comparando as amizades,
peso tudo na balança,
quem tem sua irmandade,
acredita e alcança.

O depois, o impossível,
não parece tão terrível
quando estava a reclamar.

Às vezes o que se pede
é simplesmente 'quero estar aonde está'

sábado, 7 de agosto de 2010

Sinfonia do Amor

Meias entradas, meias oitavas, meias claves,
tanto querer, tanto poder, não aceitar,
e de alegria vou guando os enclaves
e atribulados os acordes a tocar.

E dessa música divina ao coração
nasce um amor, quanto amor em versos teus!
de vez enquando até tentas dizer não,
mas sempre arrumas tempo para ler os meus...

mas se nada dessa música aprender,
se nada mesmo quiseres ter tanto fim,
nessa canção, do coração me fez querer
teu coração em sinfonia escrevo assim.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Texto de encerramento do meu primeiro livro, O Mágico Convívio, cotidiano do jovem poeta.

Poesia do C’est Fini
 
De tanto me acabar em verso,
resolvi parar de escrever,
mas outros ventos, textos que converso,
trarão a paz que costumo querer.
Bem de verdade eu repouso a pena,
em pergaminho e tinta já não penso,
penso em levar a vida mais amena,
e escrever um texto não tão tenso.
Quando voltar saberás que estive
alegrando outros horizontes,
voltarei suspeito de alguns crimes
e na mochila trarei verso aos montes.




segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Ficar sem inspiração não é tão ruim quanto parece,
é quase como o último ar antes do mergulho,
o último suspiro antes da paixão,
o último verso antes do final.

O último poema antes de silenciar tudo.

O último silêncio antes de finalmente ir embora.

terça-feira, 27 de julho de 2010

E agora?

e agora o que a gente faz da vida?
agora que tá tudo tão perdido,
o que a gente faz?
levanta a cabeça,
e segue em frente,
na direção ao amanhã
de manhã.

A noite já foi,
com ela o depois,
que é pra lá que o sonho leva.


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Solidão

De vez em quando eu sinto saudade,
daquele tempo simples e melhor,
onde te amar não trairia dó,
e de verdade não seria só,
e a alegria era bem maior,
e a agonia era tão pior
que nem sequer se colocava em mim.

De vez em quando eu tenho vergonha,
de admitir assim quanto te quero,
de aguentar a falta de sucesso,
falta de força daquele que sonha,
falta de acordo entre parte e outra,
a falta de sorte entra pela porta
e não deixa teu amor entrar.

Saia rodada, maquiada, em festa,
o que eu queria era ver-te lá,
me apaixonando cada dia mais,
pra cada dia mais me emocionar.

Esse é o castigo que o coração dá,
vida inteira de querer sem ter,
vida inteira de estar sem estar.
Jorge

Para um dos pilares da minha existência, meu companheiro de horas e horas, oras e oras, e tudo o que mais aparecer, Jorge Couto Mafra.

Vejo Jorge, vem gingando,
juro que Jorge soltou um gemido,
juntando as juras de amor perdido
e chorando as juras que jurei contigo.

Cheguei juntando essa peça gerada
e cheguei a uma conclusão.

A Jorge resta alegria,
salve Jorge, meu irmão!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Coisas.

qual é o preço das coisas?
tantas coisas,
lindas coisas,
essas coisas que me mostram.

todas as coisas,
vi as coisas
quis as coisas e demais chorei.

levo as coisas,
tanto as coisas,
quanto aquelas coisas
que um dia vivi.

finalmente percebi que,
tantas as coisas,
vamos à elas,
aquelas coisas,
coisas tantas,
tantas coisas.

meras coisas.
Arquitetura

Quando olhei lá de cima,
vi a grande confusão.
Carros, casas, gente,
que horror!

Buzinas longas e curtas
tiros entre a multidão,
o caos total do meu povo,
urbano,
entregue às traças,
amassados entre eles
mesmo aqueles de calor
os que andavam por ali
nem ao menos olhavam um para os outros.

No meio daquela guerra,
no meio dessa fervura,
parar para refletir sobre essa arquitetura,
prédio alto, lindo, frio,
modelo de ostentação
até que venha um avião
e coloque tudo abaixo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Madness (reception)

Good night, sir,
ID and registration, please...

sir?
hey, sir!

i'm sorry,
what did you say?

Nevermind, sir,
here's your key,
enjoy.

Thank you,
but i'll need more than only one room.

I'm full of business for today,
and i believe there's somebody waiting for me here.

No.
Nobody checked in since this afternoon, sir,
i'm sorry.

Don't be.
I'm am sorry.

I beg your pardon, sir?

forget it,
everything is gon' be fine.
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

Let's see...
204,308,406.

Madness (room 204)

Give me the knife,
nice and slowly.

Ok, that's it,
thank you,
easy, easy,
that's right,
good girl,
no one is gon' hurt you.

Now lay down,
this bed seems empty
without you.
Yeah, baby, that's it.

What is it?!
NO!
STOP IT!
BITCH,
NO!

Jerk.
Never treated me nicely,
not even once.
Wanted the knife, i'd gave you the knife.

But i'm not giving out my gun,
you son of a bitch.

Enough with the raping.
Bye, bye, blood.

Madness (room 308)

Show up your show off,
get off with your show face,
face up your cards right,
straight up once and cry.

So strong,
so long,
be gone.

I died for you,
at least think of me,
while you're having sex,
while you're being strange,
while you're being yourself.

Let me take a rest for now,
and i'm sorry for believing you once
in my miserable life.

Isn't it madness?
cheap slut and respectable man.

Yeah,
that is crazy indeed.

Madness (room 406)

Straigth ahead i jump,
trying to leave this place.
Will it be enough
for my bad personality?

won't my ghosts chase after me,
leaving me no choice besides jumping?
i tremble, still,
still not loving my face,
still not finding my love,
so many times, i say.

I'm drowning in a river of doubt,
so many doubts.
Will i fall?
would you catch me if i fall over?

you need me, bitch,
make my love worth it.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Diálogo de mudança de vidas

Tony Espósito Gonçalves e Ana Beatriz de Lima Gomes

-Sinto saudades das suas poesias, um dia voltarei a ler o que escreve.

-Eu sinto saudades de você mesmo, embora também aprecie sua literatura.

-E suas poesias são você.

-Nem sempre, nem sempre.

-Às vezes minhas poesias são o que eu sinto, vejo, sou..
outras vezes são tudo isso e ao mesmo tempo não são um retrato de mim mesmo.
Posso escrever um livro de 150 pags sobre como eu sinto sobre você.
O que eu vejo em você...
ou o que eu sou em você.
E por isso sou grato, pois considero um dom.
Transformar o 'eu' em 'tudo'
é lindo.
Mas entendi o que você quis dizer.
Linda forma de dizer que sente falta de si mesma.

-Quem sabe eu sou ainda mais eu mesma, quando tenho você.

-Eu gostaria disso. Gostaria que você também acreditasse.

-Quem sabe. Eu não sei. Só sei que gosto de não saber.

-É doloroso, todavia.
O seu não saber, afeta o meu querer bem,
se é que a gente tá falando de sentimento.

-Mas não afeta o meu.

-Isso é bem claro pra mim. Meu Deus, você tá sendo muito insensível agora.

-Porque ele é independente,
(o meu bem querer).

-O meu também, não muda o que sinto.

-Então ficamos assim, eu gosto de você e você de mim.

-Você gosta de mim, com controvérsias?ou você gosta de mim como eu já demonstrei?

-Gosto, sem controvérsias. Não há uma só maneira de gostar.

-Você entendeu.

-Sim.

-Claro que sim.

-É também cruel perceber, o quanto você brinca com meu estranho sentimento.

-E é triste ver como você ainda acha que brinco.

-Não brinca, mas é cruel mesmo assim.

-Mas não quero ser cruel, muito menos com você.

-Acredito. Que difícil entender tudo isso.

-Compreender ou aceitar?

-Um pouco dos dois. Compreender suas palavras e aceitar a repercussão das mesmas. Não sabia que me sentiria assim.

-O não compreendido é mais fascinante. A magia é a indagação, não a resposta.

-Não pra mim. Sou pragmático demais e objetivo demais pra entender de magia.Eu vivo acordado pra entender.

-E eu vivo sonhando por não entender.

-Talvez seja por isso que buscamos um ao outro.

-Talvez sejam ambos nossos maiores problemas.

-Não sei

-É, pode ser. Tô cansada demais pra entender isso sem sonhar.

-Tô cansado demais pra sonhar isso sem entender.

E nada foi como era antes disso.







sexta-feira, 16 de julho de 2010

Janta

Peço que me desculpem por esses dois poemas que se seguem, 'Janta' e 'Logo acaba' , por serem meus piores já escritos, mas tinha que postá-los, pois não só de talento vivemos, mas também de mediocridade constrangedora, como mostro em seguida.

Senta, moleque,
depois de lavar as mãos,
cumprimente teus parentes com um abraço.
E dê seus respeitos aos mais velhos,
beije suas mãos,
recolha-se.

Uma vez reunidos,
o pai, a mãe, os irmãos,
aqueles primos de Minas,
aquelas tias de Lumiar,
aqueles parentes que ninguém gosta
da zona sul,
todos se perguntando qual seria a pior história.
A mais triste,
a mais linda,
a mais verdadeira.

Em meio às mentiras e provocações
dos adultos,
que só sabiam beber e fumar,
e contar as próprias desgraças,
o menino, perdido,
começa a comer e cria coragem,
não se deixa levar pela desigualdade
que a família lhe traz.

Quando finalmente todos se calam,
e vão atacar os pratos,
vorazes,
famintos,
secos,
o menino se levanta,
após pedir licença, é óbvio,
e se retira,
vai brincar, ou simplesmente fugir.

Cansado da rotina da janta, ele pula a sobremesa.

Logo acaba

por quanto mais tempo as palavras vão me bater
até descobrirem que de nada adianta?
que de todas essas besteiras literárias são inúteis contra mim?
o que podem meras letras misturadas e sem sentido
fazer contra minha vida sólida?

faço votos para que essas palavras se calem
e me dexem em paz,
não mais povoem meus sonhos, ordenando-me que as escreva.
peço liberdade, apenas liberdade,
mais nada.

nunca duvide do poder das palavras, dizem.
elas podem ouvir e sempre entendem,
mesmo sem querer.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Além d'África.

dedicado à meus amigos da Rural.

ô, amigo africano,
de sofrimentos, de guerreiros mil,
leva em tantas cicatrizes o orgulho de teu pai,
teus irmãos,
teus verdadeiros irmãos.

Povo sofrido e doente,
o medo da chibata,
das tribos, malignas
e comedoras de carne humana,
desumana,
da doença,
do destino.

Mas amigo africano,
preste atenção por favor!
o destino quem faz é a gente,
e do espírito dos guerreiros antigos
e da dignidade adquirida em si,
e dos maiores preconceitos que vemos ali,
e de tanto chorar, fez-se mar.

Mar de lágrimas de liberdade.

O amigo africano,
cansado de tanto lutar,
passa uma conversa em seus filhos
e o legado então sobrevive,
legado de sangue
e também de amor.

Descubra a verdade,
o irmão africano desgraçado por nós,
abaixo do pé,
lambendo a poeira de vossos sapatos
colonizadores,
tem seu valor.

Acorde,
viva África,
seja África,
entenda.

Aquilo que te alegra o dia e a noite

Carinhosamente dedicado à minha flor, Thays Oliveira.

Tanto amor envolvido em desgraça,
o cansaço tremendo, a vida sem graça,
me entendo, te entendo, e a gente se entende,
tão sensato o carinho que tão novo aprende
e se esconde num lugar fechado.

Como se livrar dessa escuridão?
procure e se vire que haverá surpresa,
beleza, só, nem sempre põe o que comer na mesa.
Mas se nada disso adiantar,
eis a ajuda, ter pra quem ligar!

Um sorriso desacreditado,
que tão sempre há de iluminar,
mas se acredita no carinho vago,
sensação de ter pra onde voltar.

Uma folha escondendo o rosto,
a vergonha da beleza ao posto
de rainha do pudor tremendo,
o louro dos cabelos, o vento
sempre tremendo o oposto.

Quem será que aparece
pra minha vida tão cedo alegrar?
o poeta que escreve,
cansado de perguntar,
sempre entende à sua volta,
a figura recém escutada,
ouvida, falada,
documentada.

Esculpida.

Pode ser aquilo que depois de tudo,
sofreu tanto quanto a gente,
sempre envolto no desgosto,
nunca foste tão contente
quando olha no teu olho,
escuta tua voz (cantada ou não)
e consegue num olhar,
numa ação espontânea,
na sensação de corar,
fazer esquecer do porque estivera ali
pra sempre perguntando,
quando haveria de acordar.

Sim,
a vida é sonho triste,
como o movimento em quatro rodas
a rodar.
Aquele feliz movimento,
fruto do alegre vento
que te faz voar.

domingo, 11 de julho de 2010

Recursos

Língua,
linguagem,
linguística.

São tantas as artimanhas
da língua portuguesa
que quase não sobra nada
para a minha poesia pobre.

Assassino!

PARE!
eu vou passar,
atravesse depois que o sinal fechar.

Meu coração descansa no meio da rua larga,
não passa um carro por onde a vida passa.

Não acredita?
levo você até lá,
onde meu coração repousa,
pra lá você ir caminhar,
eu tiro meu coração de lá
para um carro te atropelar.

Fim

No topo da montanha me vejo,
pequenas são as pessoas,
são formigas, sim, negras,
e mínimas suas existências,
mas grande é sua força,
e em desatino lhes testo a coragem.
Me aparariam ao me ver cair?
carregariam meu fardo ao implorar?
seriam elas, as formiguinhas
aquilo que há tanto procuro?

Não.

Devo entregar-me todo a mim
e somente a mim,
e não me encher de pessimismo
burro, tolo,
e assim mesmo cair sem medo.